O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 29/10/2020
Após o mundo perder Freddie Mercury para a AIDS, Elton John compôs a música “The Last Song” (“A Última Música), com um refrão marcante que entoava: “achava que iria vencer sempre”. A canção era um retrato da sociedade da época, na qual pouco se sabia sobre o HIV, e a doença era cercada de preconceitos. Nesse contexto, mesmo após anos de pesquisa sobre as infecções sexualmente transmissíveis, os índices dessas doenças crescem entre os jovens brasileiros, haja vista a falta de educação sexual nas escolas e a ideia de que a AIDS e outras DSTs são doenças do passado e não causam mais tantos danos.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar que o sexo e a sexualidade ainda são tratados como tabus. Nesse sentido, o filme “Somos Tão Jovens” conta a trajetória de Renato Russo e não peca ao retratar os muitos preconceitos que cercavam os portadores de AIDS nos anos 90. Esse cenário, contudo, persiste na sociedade brasileira devido à falta de uma educação sexual eficiente nas escolas, a qual ensine sobre métodos preventivos e sobre a sexualidade como um todo, desmistificando estigmas acerca dos portadores de DSTs. Logo, não há como reduzir o índice de infecções entre os jovens sem, antes, investir em uma educação de ampla e de qualidade
Faz-se mister, ainda, compreender que o avanço dos tratamentos das doenças sexualmente transmissíveis gerou um sentimento de invencibilidade entre os jovens brasileiros. Segundo o departamento sobre AIDS da Organização Mundial da Saúde, o coquetel de medicamentos contra a doença transmite a ideia de que a enfermidade não causa danos ao organismo. Entretanto, esse pensamento é equivocado e leva os cidadãos a reduzirem o uso dos métodos de barreira (preservativos masculino e feminino) por acreditarem que suas vidas seguirão normalmente caso sejam infectados. Sendo assim, para reduzir os índices dessas doenças, é preciso difundir informações verídicas sobre o tema.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Para tanto, os Ministérios da Saúde e da Educação deverão exigir a educação sexual nas escolas, proporcionado um diálogo aberto entre docentes e alunos sobre como se proteger contra as DSTs. Dessa forma, será possível um maior compartilhamento de informações claras e essenciais acerca do sexo e da sexualidade, que são parte da vida de todas as pessoas. Com essas medidas, a sociedade brasileira se distanciará daquela retratada em “Somos Tão Jovens” e conseguirá proteger sua juventude de forma plena