O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 31/10/2020
No documentário “Cartas para além dos muros”, pessoas que na década de 80 presenciaram a chegada da Aids no Brasil, relatam como a forma de lidar com a doença se alterou durante o tempo, pois antes havia muito medo do contágio, diferente de hoje. O aumento de infecções sexualmente transmissíveis (IST’S) é estimulado pela confiança exacerbada dos jovens na medicina e na tecnologia, que os faz perder o medo, consequentemente cresce a superlotação no Sistema único de saúde (SUS).
Inicialmente, a falta de meios para tratar a Aids gerou muitas mortes, que assustavam a população. Atualmente, há meios como a PREP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição), que apesar de serem benéficos, dão a falsa sensação de total segurança aos jovens, que deixam de usar camisinha, pois acreditam que caso infectados, não será grave, visto que há tratamentos. Segundo a secretaria de saúde, em cinco anos, registraram-se 29 mil novos casos de IST’S, o que confirma a negligência.
À posteriori, uma consequência direta da falta de cuidados e do aumento dos contágios é a superlotação do SUS, já que a maior parte dos tratamentos para IST’S são feitos com acompanhamento médico, que não tem resultados instantâneos, segundo o Pcap 2013, 74% dos jovens nunca fez teste de HIV, ou seja, se descobrirem ser portadores da doença isso se dará através dos sintomas já avançados, o que demandaria ainda mais mobilização dos médicos responsáveis, para amenizar a doença.
A confiança exacerbada e a perda do medo impacta diretamente na vida dos infectados e dos não contaminados usuários do SUS. Portanto, cabe ao Ministério da saúde em parceria com o Ministério da educação oferecer aulas sobre educação sexual nas escolas, que não se restrinjam à época do carnaval, mas que dure o ano inteiro, para que os jovens entendam que a existência de um tratamento não significa que haverá cura, e a IST continuará presente durante toda a vida. Além disso, deve-se a curto prazo aumentar o número de infectologistas no SUS, já que a atual realidade é a de casos aumentando continuadamente, assim atende-se à demanda.