O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 03/11/2020
A série “Sex Education” aborda a adolescência com realismo, em um de seus episódios a personagem Jean, uma sexóloga, é contratada por um colégio após uma epidemia de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Nesse sentido, fora da ficção, o cenário de epidemia é parecido com o que ocorre no Brasil, uma vez que o número de jovens contaminados por DSTs aumenta cada vez mais. Isso ocorre devido à falta de abordagem sobre educação sexual nas escolas e a vulgarização do assunto pela mídia.
Diante disso, vale ressaltar inicialmente, que a ausência da educação sexual nas instituições brasileiras contribui diretamente para o avanço das DSTs. Nesse viés, de acordo com trabalho feito pela educadora Mary Neide e pela pesquisadora Caroline Arcari, não chega a 20% o percentual de escolas brasileiras que tratam sobre o tema de alguma forma. Isso é resultado do tabu acerca das questões sobre o que é de fato a educação sexual, que compreende o acesso ao conhecimento sobre o corpo humano e as questões envolvidas no relacionamento sexual, como a prevenção de doenças.
Ademais, a banalização do sexo pelos canais de mídia contribui para a desinformação dos jovens. Sobre isso, a terapeuta sexual Mary de Sá, defende que a informação é o caminho da aprendizagem, mas é preciso ter critérios para sua difusão. Nesse sentido, a mídia é uma aliada para promover a conscientização da sociedade sobre prevenção na prática sexual, porém é preciso que o tema seja tratado com bom senso e que não tenha o efeito de provocar atitudes inconsequentes desses jovens, como o ato sexual sem proteção. Logo, é necessário que sejam tomadas ações para a resolução do problema.
Dessa forma, é preciso que medidas sejam tomadas para interromper o aumento de casos de DSTs entre os jovens. Portanto, o Ministério da Educação e Cultura, por meio de discussões e palestras para alunos e pais, deve incluir a educação sexual na grade curricular das escolas, com o intuito de esclarecer sobre o tema e romper com o tabu acerca do sexo. Ainda cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com a mídia, promover a oferta responsável de informação sobre sexo e prevenção de DSTs nos canais midiáticos, por meio de campanhas embasadas cientificamente, a fim de conscientizar e orientar os jovens. Assim, espera-se atingir a aprendizagem pela informação, como prega Mary de Sá.