O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 05/11/2020

Na atualidade, tem ocorrido um aumento do número de jovens infectados com doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs. No Brasil, esse cenário é notável e se configura como um grande problema. Assim, apesar do País ter realizado conquistas com relação ao tratamento dessas doenças, ainda existem desafios a serem solucionados.

Em primeiro plano, é importante ressaltar os importantes avanços feitos na sociedade brasileira em relação à saúde pública. Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde reconheceu o programa brasileiro de tratamento da aids como o mais avançado do mundo, haja vista que foi promovido o acesso universal e gratuito a medicamentos e preservativos no País, o que contribuiu para conter a doença em sua fase mais avançada, na década de 1990. Assim, percebe-se a posição avançada do Brasil em relação ao controle de doenças como a aids, sendo essas ações direcionadas principalmente à população jovem, que é a mais afetada.

Contudo, entre os problemas atuais em relação às DSTs, observa-se, paradoxalmente, uma maior despreocupação dos jovens quanto à prevenção. Nesse sentido, a filósofa Daniela Lima, no artigo corpo-vetor e corpo-utópico, demonstra como a desinformação quanto às doenças é utilizada como forma de controlar a população, mantendo os tabus e morais da sociedade, de forma que existem corpos específicos que são mais propícios a serem contaminados. Esse é o caso dos jovens, o grupo de risco mais exposto às DSTs, já que são as pessoas que costumam ter uma vida sexual mais ativa. Assim, no Brasil, a desinformação e a crença de que as doenças sexualmente transmissíveis não geram um real perigo, levam as pessoas a não se protegerem e não se prevenirem, sendo a omissão de informações uma importante forma de manter os tabus sobre a sexualidade e o corpo, assuntos que pouco são abordados na atualidade.

Logo, com vistas a aumentar o acesso à informação por parte dos jovens brasileiros sobre as DSTs, medidas são necessárias. Para tal, o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação , deve promover campanhas de prevenção que abordem sobre sexo, corpo e prevenção dessas doenças. Isso deve ser feito por meio de redes sociais, da televisão e do rádio, sendo utilizada, especificamente, uma linguagem acessível aos jovens. Além disso, tais campanhas devem contar com a divulgação de influenciadores desse meio social, a exemplo do Dráuzio Varella, médico que se tornou popular nos meios de comunicação. Dessa forma, não haverá mais o pânico social gerado pela desinformação.