O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 16/11/2020

Em um dos episódios da série médica americana, “Grey’s Anatomy”, é retratado um caso de um paciente infectado pela doença que na época era conhecida por “GRID”(“gay related desease”) e era alvo de preconceito, pois as pessoas acreditavam que só os homossexuais podiam contraí-la e qualquer ajuda médica a ele era recusada, visto que a causa da transmissão da doença era desconhecida. Nos dias atuais, com o avanço da medicina, a causa da transmissão da AIDS e outras doenças já são conhecidas, entretanto o número de DSTs entre os jovem brasileiros tem aumentado, visto que existe um paradoxo entre maior conscientização quanto ao uso de preservativos  e menor preocupação dos jovens em contrair a doença.

De acordo com a “Teorida do Habitus” de Pierre Bourdieu, " a sociedade incorpora as estruturas sociais impostas à sua realidade e as reproduz mais tarde ao longo das gerações". Nessa perspectiva, a sociedade encarou, na década de 80, esse assunto como um TABU. Nos dias atuais, apesar de já existirem algumas políticas públicas, há uma banalização somado ao TABU, na utilização dos métodos de proteção voltados para a transmissão de doenças, mas sim uma maior preocupação em utilizá-los para uma gravidez indesejada. Além da ineficiência do Estado, em garantir campanhas à essas doenças voltadas para jovens, como utilização de linguagens próprias.

Consequente a isso, pessoas que são portadoras de doença sexualmente transmissíveis, além dos efeitos da própria doença, como ter o sistema reprodutivo comprometido, no caso mais específico de contrair Gonorréia por exemplo, tendem a ter problemas sociais, o que atrapalha o indivíduo em diversas áreas da sua vida, visto que o preconceito em se relacionar  com essas pessoas infectadas está enraizado na sociedade, o que fundamenta o conceito de “Invisibilidade Social”, de Simone de Beauvoir, que diz respeito a marginalização de certos grupos perante a sociedade.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promoverem aulas de educação sexual, por meio de palestras, com o fim desse assunto não ser mais um tabu e para que as pessoas se conscientizem desde cedo. Além do Ministério da Saúde, em parceria com ONGs, promoverem campanhas, por meio das mídias, com uma linguagem própria para todos os grupos sociais  e ao longo de todo ano, não somente na época do Carnaval, a fim de todos entenderem claramente a gravidade e importância do assunto e assim conter a transmissão de DSTs.