O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 20/11/2020

Os males da desinformação

Vênus, na mitologia romana, era a deusa associada ao amor e à beleza. Em sua alusão, utilizou-se o termo “doença venérea” para se referir às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), isto é, aquelas transmitidas principalmente por contato sexual. Na atualidade, o crescente número dessas infecções no Brasil, especialmente entre jovens, é preocupante, devido às repercussões negativas que elas causam, em níveis individuais e coletivos, na vida desse grupo.

A princípio, se mostra evidente que o tema sexualidade ainda é tratado como tabu na sociedade brasileira, nesse sentido, iniciativas de discussão e educação dentro dessa temática vêm sendo coibidas por grupos políticos conservadores. Ademais, a banalização de DSTs graves, como a Aids, pela população juvenil, é alarmante e ela explicada, em parte pelo sucesso nos avanços médico-científicos que salvaram milhares de vidas recentemente. Um estudo, de 2016, do governo brasileiro em parceria com organizações não governamentais observou o aumento de 24% na quantidade de relações sexuais sem preservativo entre jovens. Diante desse problema, a mercê da falta de conhecimentos básicos sobre saúde sexual e tomados por uma falsa sensação de segurança, evidencia-se que os jovens se expõem mais aos riscos de contraírem esse tipo de enfermidade.

De outra parte, é notório o impacto das DSTs na vida desses adolescentes. No caso da Aids, a doença é crônica, não tem cura e seu tratamento gera inúmeros efeitos colaterais. Além disso, ainda que ela possa ser controlada, o estigma que persiste no país implica no modo desigual com que os soropositivos são tratados, seja em escolas, no trabalho e em meio à sociedade em geral. Consequentemente, essa parte da juventude acometida encontra dificuldades de viver normalmente, no sentido de assumir a doença e procurar tratamento, encontrar emprego e, até mesmo, se relacionar com pessoas sem o vírus.

Urge, portanto, direcionar esforços no combate à epidemia de DSTs que aflige - principalmente - os mais jovens, no Brasil. Cabe aos Ministérios da Saúde e da Educação agirem em parceria no intuito de trabalhar o tema da sexualidade e saúde desde a educação básica, por meio de materiais educativos voltados para essa faixa etária, que inclua relatos de portadores de DSTs e sua realidade social e ensine formas de se proteger. Desse modo, espera-se alertá-los para os malefícios do aumento dessas infecções bem como romper o silêncio acerca de um tema tão relevante para a saúde pública e para os indivíduos em geral, especialmente os jovens.