O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 24/11/2020

Para o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade é integrada e organizada como um organismo, de tal forma que as estruturas sociais funcionam de maneira interdepende entre si, ao passo que a falha em algum setor resulta em um estado de anomia. Nesse sentido, percebe-se que os vários casos de infecções sexualmente transmissíveis, sobretudo, entre os jovens, podem ser associados a essa lógica teórica, uma vez que são decorrentes de erros institucionais, os quais favorecem o surgimento de diversas mazelas sociais, como exclusão e julgamento coletivo. Essa situação é ocasionada devido não só à desinformação da população, mas também à negligência estatal em tratar da questão.

Nesse contexto, vale ressaltar que o desconhecimento das ISTs por parte da população é um dos fatores responsáveis pelo grande número de casos de infecção pelo HIV e pela sífilis, por exemplo, entre os jovens. Esse argumento pode ser comprovado com base em dados divulgados pelo Ministério da Saúde, os quais apontam que uma a cada quatro pessoas HIV-positivas não conhece sua condição, ao que favorece a disseminação da doença e, também, o julgamento coletivo a esses indivíduos por parte da sociedade que ainda associa as ISTs a algo negativo. Dessa forma, nota-se que o aumento dessas enfermidades entre os jovens resulta em um estado de anomia, como o proposto por Durkheim.

Além disso, a ineficiência das políticas públicas corrobora para não haver mudanças significativas nesse cenário. Diante disso, observa-se que, embora o Governo tenha adotado medidas preventivas, como disponibilizar preservativos gratuitamente nas Unidades de Saúde, a falta de investimento em políticas educativas contribui com a criação de estereótipos acerca dos indivíduos acometidos pelas ISTs, tornando-os vulneráveis a situações de preconceito e exclusão social. Tal conjuntura, de acordo com as ideias Contratualistas de J.J. Rousseau, configura-se uma violação do Contrato Social, já que o estado não tem cumprido efetivamente sua função de garantir o equilíbrio e o bem-estar coletivo.

Torna-se necessária, portanto, a adoção de medidas que visem combater o aumento de casos de ISTs entre os jovens. Para isso, o Governo, em parceria com o Ministério da Saúde, deve, em primeiro plano, intensificar as políticas públicas voltadas a medidas de contenção, por meio de campanhas gratuitas nos hospitais e UBS, as quais objetivem identificar as pessoas infectadas, a fim de diminuir a disseminação das doenças e, em segundo plano, deve, ainda, com a ajuda do MEC, implementar nas escolas palestras elucidativas periódicas  e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, como médicos, no intuito de formar cidadãos que não sejam complacentes com a cultura de preconceito e exclusão social. Desse modo, o estado de anomia poderá ser minimizado.