O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 26/11/2020
As doenças ou infecções sexualmente transmissíveis conhecidas por DST ou IST, são doenças infectuosas detectáveis por testes e que se transmitem essencialmente, porém não de forma exclusiva, pelo contato sexual. Sabe-se que na última década tem-se observado um contraste entre os avanços científicos/informacionais conquistados e entre o crescimento do número de contaminados, fato que demonstra um problema de saúde pública. Desta forma, deve-se analisar as principais causas deste aumento: a banalização dos males e a existência de tabus.
Em primeira análise, observa-se que a banalização dos males das doenças é uma consequência dos avanços conquistados no tratamento das infecções sexualmente transmissíveis. Nas últimas décadas a melhora da eficácia dos tratamentos resultou na redução das complicações dos sintomas das IST, assim como na redução do número de mortes. Entretanto, nota-se um paradoxo decorrente dessa situação: o sucesso das políticas de prevenção e tratamento é responsável pela diminuição da preocupação com a prevenção, fato que favoreceu a realização de sexo desprotegido. Segundo uma pesquisa a respeito do comportamento sexual dos brasileiros, realizada pelo Ministério da Saúde, apenas 47% da população utiliza preservativos para se proteger. Esse dado alarmante ilustra o descuido das pessoas, principalmente jovens, e reforça a importância de políticas públicas para evitar a disseminação de doenças, sobretudo no âmbito educacional, tanto nas escolas quanto no próprio lar.
Em segundo, nota-se que o preconceito com as pessoas infectadas e a falta de educação sexual adequada são consequências dos tabus existentes. De acordo com a infectologista Paola Cunha, as discriminações podem causar vergonha e medo na população que, por sua vez, deixa de realizar testes, de tomar vacinas e de procurar atendimento médico adequado. Já a falta de educação sexual dificulta a identificação de sinais diferentes no corpo, tais como: feridas, corrimentos e verrugas devido à falta de orientação adequada e de conhecimento teórico básico. É importante ressaltar que doenças mais perigosas como: HIV e sífilis, causam danos graves se não houver controle, mas há tratamentos e prevenção. Dessa forma, conclui-se que a existência de tabus permite uma maior exposição dos brasileiros às IST, coloca em risco a saúde de todos e favorece o aumento do número de contaminados.
Entende-se, portanto, que o conhecimento é a solução para que a população entenda os riscos das IST e a partir disso, reduza a exposição às doenças e, consequentemente, a transmissão. Desse modo, cabe ao Governo, através do MEC, órgão responsável pela educação no Brasil, incluir aulas de Educação Sexual na grade curricular de todas as escolas para que os jovens adquiram conhecimentos básicos sobre sexualidade e sexo e descontruam os mitos que cercam o tema incentivando a proteção.