O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 30/11/2020

A série catalogada na Netflix, ‘‘Elite’’, aborda a vida de uma jovem, a qual é diagnosticada com HIV ainda na adolescência, demonstrando os diversos entraves enfrentados pela garota para ser socialmente aceita. Apesar de ficção, tal obra retrata um problema da contemporaneidade que vem aumentando de forma exponencial, seja pela negligência parental ou indigência do governo. Por tais motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa triste problemática.

Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que a educação sexual é um atributo fundamental no processo de construção dos jovens. Contudo, esse ensino é, por vezes, negligenciado, uma vez que as famílias transferem a responsabilidade da educação sexual às escolas. Nessa égide, as instituições escolares, por sua vez,  redirecionam tal responsabilidade às famílias, fechando um ciclo inerte e sem valor educativo. Nesse cenário, os jovens acabam não tendo um conhecimento efetivo sobre a transmissão de doenças sexuais. Parafraseando Platão, o importante não é viver, mas viver bem. Todavia, o que se vê é uma distância cada vez maior entre o bem-estar e a sociedade hodierna. Dessa forma, mudar essa realidade é um fato obrigatório.

Faz-se mister ressaltar, ainda, que o investimento governamental, no que tange à inserção de campanhas que auxiliem os jovens a adquirir conhecimento sobre a contração de doenças sexualmente transmissíveis, é exíguo. Destarte, a verba que deveria ser direcionada para tal setor é passada para setores com menor importância, comprometendo a saúde de milhões de brasileiros. Sob essa ótica, os indivíduos não se preocupam em se prevenir na hora do ato sexual, visto que não possuem um entendimento efetivo sobre os possíveis desdobramentos daquela ação. Consoante a Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente transformá-las. Em contrapartida, percebe-se a indigência governamental em engendrar oportunidades que viabilizem a transposição do problema. Logo, medidas devem ser postas em prática com veemência.

Evidencia-se, diante do olhar físico de Isaac Newton, que um corpo só pode sair da inércia se uma força lhe for aplicada, dando sentido ao movimento. Portanto, urge uma parceria entre o Ministério da Educação e as famílias, realizando a inserção do estudo sexual em currículo escolar e parental, por meio de debates e palestras que contem com profissionais da área de saúde, retratando os riscos da contração de infecções sexualmente transmissíveis e as consequências da irresponsabilidade em tal âmbito. Inclusive, tendo os pais como plateia, com o intuito de gerar um diálogo em casa e formar cidadãos mais comprometidos com a própria saúde e a saúde dos demais. Assim, séries como ‘‘Elite’’ vão ser apenas a mimetização de um passado remoto.