O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 08/12/2020
Ao introduzir a célebre frase “o homem é o lobo do homem” em seu clássico livro Leviatã, o filósofo Thomas Hobbes faz uso da metáfora para dizer que o ser humano, por meio de ações inconsequentes, pode provocar o mal a si próprio. Nessa perspectiva, é possível estabelecer uma relação análoga entre a citação de Hobbes e a conjuntura do Brasil contemporâneo, uma vez que, devido à banalização das doenças sexualmente transmissíveis e ao escasso uso de preservativos - provenientes da falta de informações - tais infecções ganham cada vez mais espaço entre a juventude brasileira.
Em primeira análise, pode-se afirmar que a banalização das DST’s é um dos fatores coniventes à problemática. Diferentemente do que ocorreu na década de 1980, quando o surto do vírus HIV gerou imenso pânico entre a população devido à falta de medidas de tratamento, hoje em dia, devido aos avanços farmacológicos, a sentença de morte relacionada ao diagnóstico da doença foi desmistificada e assim, aliada à desinformação, a Aids, assim como outras infecções transmitidas por meio do sexo foram sendo banalizadas. De acordo com o doutor Dráuzio Varella, grande parcela dos jovens brasileiros acredita que a Aids não é uma doença grave e que é curada com poucas doses de medicamento. Assim, observa-se que a falta de educação acerca das DST’s gera a trivialização dessas, provocando nos jovens um sentimento de subestimação quanto às consequências dessas mazelas.
Ademais, cabe ressaltar o escasso uso de preservativos como agravante da situação. A série britânica Sex Education retrata de forma cômica a total falta de conhecimento dos personagens adolescentes quanto à vida sexual, inclusive no que se refere ao uso de camisinha. Fora da ficção, essa situação também é percebida, como revelam dados recentes do Ministério da Saúde, os quais mostram que 4 a cada 10 jovens brasileiros acreditam ser desnecessário usar camisinha em um relacionamento estável, além de que 42% não sabem que a camisinha é o único método que previne doenças sexualmente transmissíveis. Dessa maneira, novamente a falta de instrução sobre o assunto é responsável por comportamentos sexuais imprudentes, comprometendo a saúde de muitos indivíduos.
Portanto, conclui-se que o aumento de DST’s entre jovens no Brasil é um impasse que urge por soluções. Dessarte, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de uma reforma educacional, insira a instrução sexual nos ensinos fundamental II e médio, contando com aulas informativas, atividades dinâmicas e palestras que discutam a importância do uso de preservativos, bem como alertem os jovens sobre as consequências das infecções sexualmente transmissíveis, a fim de, através da educação, diminuir as taxas de propagação das IST’s. Dessa maneira, a oração de Hobbes poderá ser desassociada da conjuntura brasileira contemporânea.