O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 14/12/2020
“O meu prazer agora é risco de vida”. O trecho da música “Ideologia”, de Cazuza, retrata a angústia sentida pelo cantor, por ele ser um portador do HIV. Nesse âmbito, não só Cazuza, mas também outros brasileiros se sentem da mesma forma por ter alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível), o que é notório devido ao aumento dessas doenças nos jovens. Sendo assim, faz-se necessário avaliar tanto a falta de prevenção no ato sexual, como também o preconceito sofrido pelos portadores das DSTs.
A priori, vale salientar como a falta de prevenção no ato sexual contribui para o crescimento dessas doenças nos jovens. Na série “Elite”, Marina é uma garota que contrai o vírus da AIDS após ter uma relação sexual, sem preservativo, com seu namorado, o qual ela jurava saber tudo sobre. Fora da ficção, não só Marina, mas muitos jovens deixam de usar preservativos por confiarem na aparência saudável de seu parceiro ou apenas para agradá-lo. Segundo o G1, 47% dos indivíduos entre 14 e 24 anos não usam camisinha com seu companheiro, pois já fazem uso de contraceptivos, mostrando, assim, que a maior preocupação se tornou engravidar e não a possibilidade de contrair alguma DST.
A posteriori, é importante ressaltar o preconceito que os portadores dessas ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) sofrem. Na série “Reign” é retratado o afastamento e julgamento dos súditos com o rei Stuart por ele ter contraído a sífilis, sendo rotulado como “possuído pelo Diabo”. De maneira análoga, as pessoas com alguma doença sexual se sentem coagidas de cuidar da sua saúde e até negligencia a procura pela ajuda médica, haja vista o preconceito e desprezo por uma doença, que assim como qualquer outra, deve ser tratada. De forma a comprovar com a falta de sensibilidade do homem em meio as dores de seus semelhantes, citada por Zygmunt Bauman em sua obra “Cegueira Moral”.
Portante, consoante a Lei da Inércia, de Newton, um corpo tende a permanecer parado ou em movimento até que uma força atue sobre ele. Diante disso, para que a sociedade brasileira não se mantenha inerte à problemática, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, realize um projeto que por meio de um investimento, disponibilize palestras e feiras- mensais- nas instituições de ensino, que abordem abertamente sobre o perigo das DSTs e como se precaver. Além de campanhas nas redes sociais que incentivem a procura dos portadores por tratamento e “chats” de conversa e dúvida sobre o tema, a fim de trazer a questão em debate e, logo, diminuir o preconceito. Para que, dessa forma, o prazer dos jovens não se torne um risco de vida, como citado, angustiosamente, pelo cantor Cazuza e, assim, os casos de ISTs diminuam gradativamente na população jovem brasileira.