O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 11/12/2020

Medo. Receio. Dor. Essas são algumas palavras-chave que caracterizam a questão do aumento dos casos de DST’s entre os jovens brasileiros, uma vez que essa problemática afeta a vida de diversos adolescentes e segue sem alcançar o apelo necessário para ser resolvida. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da base educacional lacunar, bem como pela má influência midiática.

A princípio, a falta de um melhor entendimento sobre como identificar um episódio de risco sexual caracteriza-se como um complexo dificultador. Sob essa ótica, conforme o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. Desse modo, no que se refere ao aumento das infecções sexualmente transmissíveis entre os mais jovens, é possível perceber a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter esse problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajudem adolescentes a identificar e se proteger de situações dessa natureza em seu cotidiano.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da influência midiática negativa. Desse modo, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de desinformação. Nessa perspectiva, observa-se que a mídia, ao invés de promover debates sobre como manter relações sexuais de maneira segura, acaba influenciando na consolidação do problema, uma vez que diversos filmes, séries e novelas incentivam a prática sexual insegura e inconsequente, o que é enraizado pelos jovens como sendo um comportamento normal.       Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, as escolas, em parceria com a prefeitura, devem incentivar a criação de rodas de conversa e debates em relação ao sexo durante a adolescência, o que é ainda um grande tabu. Assim, tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, esses eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas à prática sexual segura e se tornem cidadãos conscientes quanto ao problema.