O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 15/12/2020

O livro “Depois daquela viagem”, da escritora Valéria Polizzi, revela a vida de uma adolescente que contraiu HIV em sua primeira relação sexual e os preconceitos e transformações de sua vida a partir desse fato. Fora do campo literário, no Brasil, o crescimento de doenças sexualmente transmissíveis aumenta entre os jovens e realidades como as retratadas na obra se repetem. Diante disso, nota-se que o aumento de DSTs no Brasil é reflexo da ausênsia de educação sexual na formação do jovem brasileiro e da escassez de esforços de conscientização a respeito do tema.

Em primeira instância é válido ressaltar a falta de educação sexual no Brasil. De acordo com o filósofo Francis Bacon, saber é um sinônimo de poder uma vez que confere ao indivíduo capacidade de melhorar a vida humana. Entretanto, há na sociedade brasileira o enfraquecimento desse poder devido a carência da difusão de informação a cerca do sexo, das doenças por ele transmitidas e as implicações dessas. Esse cenário se instaura e perpetua, visto que o assunto não é abordado pelas instituições de ensino ou no ambiente familiar, em que a tematica é um tabu, contribuindo para a desinformação de uma questão de saúde pública.

Em segunda instância, é notório que as atuais campanhas visando conscientizar o jovem quanto a prevenção as DSTs são insuficientes. Segundo George Santayana “aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-los”, nesse sentido evidencia-se a que não está retido na memória do jovem da atual geração o terror proporcionado por doenças sexualmente transmissiveis, a exemplo da AIDS que assolou o Brasil e vitimizou ídolos como Renato Russo e Cazuza, comovendo e mobilizando a sociedade sobre o tema. Soma-se isso as evoluções no tratamento de DSTs, que aliado a pouca informação leva uma parcela da população a acreditar na existencia da cura dessas doenças e consequentemente o menosprezo e desuso dos preservativos.

Dado o exposto, torna-se imprescindível a adoção de medidas para reverter o quadro. Dessa forma, é essencial o engajamento do Ministério da Educação em promover uma melhor formação cidadã ao jovem do país, instituindo a educação sexual como disciplina obrigatória para Ensino Médio e Superior, com o objetivo de reduzir a transmissão das DSTs. Aliado a isso, é necessário o trabalho conjunto entre o Ministério da Saúde e a esfera midiática de reafirmar a importância do uso de preservativos e provocar a conscientização geral a respeito do tema, por meio de campanhas publicitárias com figuras de identificação com o publico alvo - a exemplo de youtubers teens -, gerando empatia e aumentando a eficiência do ato. Dessa maneira realidades como as retratadas no livro de Valéria Polizzi serão cada vez menos recorrentes e a nação progredirá.