O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 16/12/2020

No livro autobiográfico ‘‘Depois daquela viagem’’, Valéria Piazza explica como aprendeu a viver com a aids e conta a respeito dos dramas de ser uma adolescente infectada. Fora das folhas, a situação vivenciada pela autora representa, infelizmente, a vida de milhares de brasileiros, visto que a incidência de doenças sexualmente transmissíveis é crescente, principalmente, em meio aos jovens. Dentro desse prisma, a condição ascendente das DSTs reflete tanto o déficit da educação sexual nas escolas quanto a negligência governamental em remediar essa epidemia e em tratar os acometidos. Evidencia-se, portanto, que a comunidade urge por melhor atuação estatal em prol de uma saúde pública eficiente.

Em uma perspectiva centrada no viés educacional, a questão da sexualidade ainda é um tabu a ser quebrado nos ambientes escolares, dada a importância do ensino na formação cidadã. Nesse âmbito pedagógico, segundo a Folha de São Paulo, dentro das discussões para a aprovação do Plano Nacional da Educação, a educação sexual foi, injustamente, atacada e confundida com a instigação ao sexo irresponsável e precoce. No entanto, o ensino da sexualidade é fundamental para o pleno conhecimento acerca do uso correto de métodos contraceptivos e do funcionamento do corpo humano, além de ser uma ferramenta essencial na prevenção de DSTs dentro da esfera jovem. Dessa forma, a consciência ante o aprendizado da temática é suprimida pela ignorância e pelo conservadorismo.

Para além dessa contestação, a remediação das infecções sexuais esbarra no desleixo estatal, haja vista que a saúde pública brasileira é falha. Frente à displicência, o governo federal suspendeu, sem previsão de retomada, os exames de HIV e hepatite C, em decorrência do fim do contrato com a empresa encarregada de realizar os testes — fato que deixará milhares de cidadãos carentes de um eficiente mecanismo de diagnóstico e tratamento. Assim, apesar de a União dispor de prerrogativas jurídicas corroboradas pela Constituição, em 1988, como o direito à saúde e ao bem-estar social, é nítido que os governantes não cumprem, fidedignamente, esses preceitos.

Diante do exposto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação do crescente número de jovens afetados por DSTs. Para tanto, os Ministérios da Saúde e da Educação deverão exigir um efetivo ensino sexual nas escolas, proporcionando um diálogo entre docentes e alunos sobre como se proteger contra infecções sexualmente transmissíveis, que será ministrado por meio de mesas redondas junto de profissionais da área da saúde. Como resultado direto, inúmeros casos de infectados serão evitados, já que a educação é ferramenta primordial na formação do indivíduo e na compreensão da importâcia da preservação da saúde. Em análise, a população adolescente necessita de mais atenção e de aprendizado para que não surjam novas ‘‘Valérias’’ na sociedade brasileira.