O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 18/12/2020

Ao criar o personagem Syphilis em 1530, o poeta italiano, Girolamo Fracastoro, não imaginaria que, assim como no século 16, a sífilis estaria presente nas sociedades contemporâneas. Integrante de um grupo de infecções sexualmente transmissivéis - IST’s - a sífilis, assim como o HIV, hepatites e as demais infecções dessa classe, vêm aumentando a recorrência entre os jovens no Brasil na última década. Nesse contexto, deve-se discutir como uma educação sexual deficitária aliada às novas tecnologias de comunicação atuam sobre a problemática em questão.

A priori, deve-se discutir como uma educação sexual falha influencia a questão. Segundo dados do Senado Federal, em 2018, menos de 20% das escolas públicas no Brasil ofereciam, como componente currícular, uma educação sexual concreta e continuada, de modo a abranger todos os conceitos necessários para uma formação sexual segura. Desse modo, muitos jovens e adolescentes brasileiros desconhecem as principais IST’s e as formas de evitar seu contágio, expondo-se, assim, a tais riscos.

A posteriori, pode-se discutir o papel das novas tecnologias no processo de aumento das IST’s no Brasil. Com o surgimento dos aplicativos de encontros disponíveis na internet, revolucionando as formas de interação social, surgiu-se a ideia de encontros para fins de sexo casual facilitado, o que se traduz em maiores taxas de riscos de exposição sexual sem segurança. Tal fato pode ser atribuido a uma educação sexual incapaz de alertar os jovens aos riscos de um contato sexual sem proteção.

Torna-se evidente, portanto, que uma educação sexual deficitária aliada às novas tecnologias de comunicação são importantes atores na questão do aumento dos casos de IST’s entre os jovens no Brasil. Nesse contexto, cabe ao Poder Legislativo, por meio do Congresso Nacional, em consonância com a sociedade cívil, a criação de um projeto de lei que inclua a educação sexual como integrante da Base Nacional Comum Currícular - BNCC - a fim de garantir uma educação sexual segura a continuada nas escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Espera-se que, com tal ato, o conhecimento sobre doenças relacionadas ao sexo sem proteção possa aumentar, diminuindo, assim, o número de infecções sexualmente transmissíveis no Brasil.