O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 06/01/2021

Ludwing Van Beethoven, um dos músicos mais brilhantes da história, compôs mais de 200 obras conhecidas no mundo inteiro. Contudo, para chegar a esse nível, precisou aprender o básico da teoria musical. De forma análoga, para o progresso de uma sociedade, é preciso que todos possuam acesso ao básico: à saúde. Fato esse não observado no que tange à discussão acerca do aumento de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens brasileiros. Diante desse cenário, a falta do uso do preservativo e a banalização dessas doenças contribuem para o agravamento da situação.

A princípio, cabe destacar a negligência em relação ao uso de camisinha durante o ato sexual. Segundo o médico Lair Ribeiro, “quem não tem tempo para cuidar da saúde, terá que arrumar tempo para cuidar da doença”, ou seja, é essencial priorizar a prevenção e o cuidado para não sofrer os danos colaterais. Nesse sentido, observa-se que a máxima do doutor não tem sido adotada pela maioria dos jovens, visto que estão inseridos em uma sociedade hedonista, que é caracterizada pela busca por prazeres imediatos sem medir as consequências. Nesse âmbito, essa linha filosófica adotada acaba se manifestando durante o sexo, pois no instante do ato não é mensurado o quanto é importante a proteção contra as DSTs. Portanto, por um descuido momentâneo, a saúde dos indivíduos envolvidos fica comprometida.

Ademais, outro fator relevante é o ato de trivializar as doenças sexualmente transmissíveis. Hannah Arendt, em sua obra “Eichmann em Jerusalém”, cunhou o termo “banalidade do mal”, em que diz que, numa sociedade mergulhada em um sistema totalitário, a violência existente se torna algo comum, haja vista que está enraizada no sistema. De forma análoga, na presença constante das DSTs e com os avanços no seu tratamento, os jovens perderam o medo dessas doenças e as tratam como algo banal, sem dar a devida importância para a temática. Tal fato foi comprovado pelos dados divulgados pela Secretaria da Saúde, que registrou 29 mil casos de DSTs nos últimos 5 anos. Logo, enquanto não houver uma forte conscientização, a situação se agravará.

Desse modo, é evidente que o aumento de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens brasileiros possui raízes profundas. Para mudar a atual conjuntura, é preciso que o Ministério da Educação, aliado as escolas, promova o aumento de debate sobre o tema, por meio de palestras e aulas educacionais com os alunos e pais. Ademais, tais aulas abordarão a importância do uso de preservativo durante as relações sexuais e também os males que as DSTS causam no ser humano. Assim, a fim de informar e conscientizar os jovens, espera-se que todos possuam o direito básico necessário em uma sociedade.