O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 08/01/2021
Na Odisseia de Homero, Ulisses ordenou a seus homens que o amarrassem no mastro da embarcação e tampassem os próprios ouvidos com cera, para que somente ele pudesse ouvir o divino e perigoso canto das sereias com segurança. Essa história serve de alerta contra o aumento de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros que não se mostram prudentes como o herói grego. Nesse sentido, é notório que a origem desse quadro se encontra no individualismo, já que despreza tanto o cuidado de si quanto o cuidado do próximo. Assim, entre os fatores que produzem esse grave problema social, destacam-se: o hedonismo e falta de uma educação escolar adequada.
Nesse contexto, se é verdadeiro que a supervalorização do prazer produz pessoas egoístas, então, não surpreende que parte da juventude não use preservativos. Essa hipótese da busca irresponsável pelo êxtase é real, uma vez que a ignora-se as recomendações médicas sobre os perigos de infecções sexuais (como HIV, HPV e Sífilis). Além disso, só pensar na satisfação do momento e desconsiderar a integridade e bem-estar dos outros gera uma atitude individualista, uma vez que muitas doenças infecciosas são silenciosas. Por conseguinte, a sabedoria de Aristóteles se mostra relevante, pois, sua máxima, que defende que “o homem sábio não busca o prazer, mas a ausência de dor”, ensina que é mais prudente evitar muitas tragédias do que se render ao risco do prazer sexual sem proteção.
Ademais, se é fato que a educação nacional deficiente origina seres que só pensam em si mesmos, logo, muitos homens imaturos não pesarão o dever de usar camisinha. Tal possibilidade é comprovada na prática, uma vez que o vestibular se tornou o fim último de muitas instituições e todo o esforço é canalizado para o ensino de conteúdos cobrados nos exames, ao invés do aperfeiçoamento ético do estudante. Em decorrência disso, o foco pedagógico em aprovações, que estimula a competitividade e individualismo, produz pessoas insensíveis aos malefícios sociais de suas más condutas. Assim, não surpreende que a famosa frase de Miguel Pereira, “O Brasil é um grande hospital”, continue atual, dado que uma escola imprudente produz o jovem irresponsável e incapaz de usar preservativo para evitar contágio.
Portanto, é evidente que a busca desenfreada do prazer e um sistema educacional prostituído incentivam uma juventude sem empatia e responsabilidade. Diante desse problema, cabe ao Governo Federal criar a Campanha Nacional Pense e Use, por meio da formulação de um decreto federativo – após um amplo debate com cientistas da área da saúde pública e educação –, com a finalidade de ensinar o jovem que a prevenção é sempre a atitude mais prudente. Assim, será possível ensinar que o prazer mais excelente se conquista com as virtudes de Ulisses: autocontrole e sabedoria.