O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 11/01/2021
Ratificada em 1988, a Constituição Cidadã, entre os direitos sociais, assegura a saúde como precípua para o desenvolvimento da comunidade. No entanto, é indubitável que tal proposta sofre, na prática, com empecilhos para sua efetivação, tendo em vista o aumento de DSTs entre os jovens brasileiros. Esse cenário nefasto evidencia um problema grave corroborado não só pelo estigma em sua discussão, mas também pela impulsividade característica da adolescência.
Nesse sentido, é importante destacar a manutenção de um sistema de ensino defasado. Nessa perspectiva, a pedagoga Vera Maria Candau, em sua obra “Reinventar a Escola”, atesta o atual método de instrução como ultrapassado, uma vez que não compreende as demandas hodiernas do corpo discente para a vida em sociedade. Sob essa óptica, devido à censura que tramita quanto à educação sexual, o debate acerca da saúde física dos jovens é vilipendiada, o que, por conseguinte, suscita que casos de infecções orogenitais, a partir da diminuta orientação, se tornem recrudescentes — uma vez que, segundo o órgão da Organização das Nações Unidas de combate à aids, a tendência de contágio no Brasil é crescente. Portanto, é inquestionável que o silenciamento é preponderante para a persistência de patologias entre os indivíduos.
Ademais, é necessário ressaltar que a invisibilidade do tema expõe o descaso para com a vulnerabilidade decorrente da puberdade. Nesse viés, a série “Sex Education”, narra o processo de descoberta do erotismo entre adolescente, os quais, devido ao escasso debate familiar associado à impulsividade, diversas vezes, arriscam-se pela negligência ao uso de preservativos. Analogamente, fora da ficção, em meio a um período de desenvolvimento da libido, a imprudência relacionada a tal faixa etária, aliada à falta de instrução, favorece a ocorrência de relações desprotegidas, as quais propiciam que doenças sejam contraídas. Logo, é incontrovertível que mazelas são estimuladas por um processo que, pela imaturidade, supervaloriza a lascividade em detrimento da segurança.
Dessarte, ante o estigma social e educacional, urgem mecanismos em prol de mitigar o aumento de casos de DSTs. Para isso, é fulcral que o Ministério da Saúde, associado ao Ministério da Educação, assegure a qualidade de vida dos jovens. Isso deve ocorrer por intermédio da inclusão da educação sexual na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a qual deve ser abordada em debates, nas instituições de ensino, que devem integrar, além do corpo docente e discente, a família e os médicos, para discutir a problemática das infecções sexualmente transmissíveis, com o fito de instruir, qualitativamente, os jovens. Assim, a saúde, como assegurada pela Magna Carta, tornar-se-á, de fato, inerente à realidade brasileira.