O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 14/01/2021
A Constituição federal de 1988 - documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6 º, o direito à educação e saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática quando se observa o aumento de DSTs entre jovens brasileiros, o que dificulta, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da negligência governamental e da falta de instrução sexual nas escolas.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais e a falta de debate sobre o assunto no Brasil. Nesse sentido, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação e saúde. Dessa forma, na época festiva do carnaval, o governo faz campanhas sobre o uso de preservativos e cuidados contra as DSTs. Porém, a visibilidade do tema se concentra apenas nesse período do ano, de modo que, embora seja um avanço, não é suficiente para tornar o problema uma realidade superada. Ademais, é fundamental apontar a falta de educação sexual nas escolas como impulsionador do problema. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), houve um aumento de 21% no número de novos casos de HIV, de 2010 a 2018, o que vai na contra mão mundial, já que, no mesmo período, a queda foi de 16% no planeta. Diante de tal exposto, a ausência e a baixa qualidade da instrução sexual nas escolas, tornou-se preocupação da área da saúde, pois sem conhecimento sobre as DSTs e maneiras de se proteger, jovens de todas as idades estão correndo o risco de se contaminar. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver o aumento de DSTs entre jovens brasileiros. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde, por intermédio de investimentos em medidas educacionais, aplique aulas sobre instrução sexual e medidas contra as DSTs na grade curricular dos alunos desde o ensino fundamental até o ensino médio - tendo um professor específico para orientar e tirar dúvidas individuais sobre a matéria - afim de que os jovens sejam ensinados sobre a problemática e tomem os devidos cuidados para se protegerem das doenças sexualmente transmissíveis. Assim, será consolidada uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu “Contrato Social”, tal como afirma John Locke.