O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 16/01/2021

Embora a Constituiçao Cidadã, promulgada em 1988, trate a saúde como um direito humano fundamental, percebe-se que, na realidade brasileira, não há o cumprimento dessa prerrogativa, principalmente no que diz respeito ao aumento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) entre os jovens. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à inação de esferas governamentais na resolução desse infortúnio, mas também em razão da falta de criticidade do corpo civil.

Em primeira análise, é evidente o impacto da disparidade social no aumento das taxas de DSTs entre os adolescentes brasileiros, haja vista que, segundo dados do portal G1, em 2019, 70% dos infectados pertencem à classe econômica mais vulnerável.  Nesse sentido, de acordo com o índice de Gini - medida que classifica o grau de desigualdade em um país-, o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Sob essa lógica, para o sociólogo brasileiro Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia, extremamente necessária para o desenvolvimento humano, só é efetiva na medida em que os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. Desse modo, parcela da sociedade brasileira, devido à sua condição social, é impedida de ter acesso políticas públicas eficazes que poderiam, potencialmente, reduzir esse panorama nefasto, o que resulta em maior desigualdade em solo nacional, fato que, consequentemente, agrava o entrave social.

Ademais, é imprescindível salientar a importância de uma educação multidisciplinar na autonomia do indivíduo enquanto ser social. No entanto, constata-se que o sistema pedagógico arcaico brasileiro está intimamente atrelado à frágil visão de mundo dos cidadãos, visto que ele dispõe apenas de aulas engessadas, as quais não preparam as pessoas para problemas reais, como a importância de preservativos a fim de evitar doenças venéreas. Nesse viés, tal quadro contraria o modelo de ensino elucidado pelo sociólogo Paulo Freire, o qual defende que o conhecimento, como agente de transformação social, precisa ser plural, amplo e atender às demandas sociais. Assim, a falta de mentalidade crítica acerca dos perigos do sexo desprotegido à saúde prejudica o equilíbrio social e aumenta os índices de jovens contaminados.

Verifica-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar as taxas de DSTs em todo o território nacional. Para isso, enfatiza-se que o Poder Executivo, aliado às escolas, por meio da distribuição de preservativos em postos de saúde e de palestras educativas, no âmbito escolar,  sobre a seriedade de uma vida sexual segura, fomente a mentalidade crítica dos indivíduos desde a mais tenra idade, a fim de sanar esse obstáculo social. Dessa maneira, será possível a construção de uma nação segura e permeada por direitos elencados na Carta Magna.