O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 14/02/2021

No início da epidemia da AIDS, ser soro positivo era praticamente uma sentença de morte. Atualmente, o avanço da medicina possibilitou o tratamento - mas ainda não a cura - dessa síndrome. Em resposta, a sociedade, especialmente os jovens, neglicenciam o uso do preservativo por deixarem de sentir receio de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), o que gera o aumento dos casos na contemporaneidade. Essa situação tem como causas a falta de instrução sexual nas escolas e a ineficácia do Estado em disseminar informações.

Inicialmente, um entrave para as noções corretas sobre sexo chegarem aos jovens é que essa questão é um tabu. De fato, conversas sobre esse assunto não é um hábito nas famílias e, nas escolas, local em que poderiam encontrar respostas com imparcialidade, há apenas a omissão. Um exemplo disso foi retratado em Sex Education, série da Netflix. Na trama, a falta do uso da camisinha levou ao surto de clamídia no colégio e os alunos, sem conhecimento sobre o tema, acreditavam que a infecção era transmitida pelo ar. Acontecimentos como esse - a falta de informações seguras para a juventude - são comuns no Brasil e evidenciam que as instituições de ensino precisam ser mais ativas no ensino sexual dos estudades, garantindo o aprendizado sobre a importância do preservativo e as formas de contágio. Caso contrário, os mais novos iniciarão a vida reprodutiva com desinformação, o que pode perpetuar o preconceito e o aumento das DSTs na sociedade.

Ademais, as campanhas informativas do Estado não são eficientes, uma vez que o governo escolhe demonstrar a importância do sexo seguro na TV - meio de comunicação que já não é tão acessado pelos jovens - apenas no carnaval - como se a transmissão das doenças acontecesse apenas nessa época do ano. Outro fator que confirma a inobservância estatal na veiculação efetiva é a PEP (Profilaxia Pós-Exposição). Esse antirretroviral evita que alguém que teve uma relação de risco contraia HIV. O medicamento é gratuito, porém a falta de divulgação faz com que haja baixa procura e, infelizmente, a contaminação de casos que poderiam ser evitados.

Destarte, para que o aumento das DSTs entre os jovens seja resolvido, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promova a educação sexual, por meio da reformulação da grade curricular - com a inserção de assuntos como prevenção, tratamento e formas de infecção - de maneira a garantir que as instituções de ensino formarão adultos mais responsáveis e com conhecimento, evitando a propagação das doenças. Em adição, o Estado deve divulgar propagandas institucionais ratificando a importância da camisinha e de antirretrovirais quando necessário, com postagens nas redes sociais, para que a contaminação desse grupo seja reduzida,