O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 17/02/2021

O livro “Depois daquela viagem”, da escritora brasileira Valéria Pozzi, narra os preconceitos sociais e as debilidades na saúde enfrentados por ela depois de contrair o vírus HIV após a sua primeira relação sexual. A autora é uma das inúmeras vítimas da falta de políticas públicas voltadas para a promoção da educação sexual entre os jovens brasileiros. Esse fator, tem ocasionado um crescente número de casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) entre essa parcela da população do país. Doenças essas que são capazes de afetar tanto o físico, quanto o psicológico de uma pessoa.       Primeiramente, há uma inaplicabilidade do Estado no que se refere à adoção de uma educação sexual básica voltada para os jovens. Nesse sentindo, percebe-se que alguns temas por serem considerados sem pudor ou inadequados, tais como a forma de uso e colocação de um preservativo, são evitados em um contexto escolar e familiar. Com isso, além de não saberem as medidas primárias de prevenção dessas DST’s, muitos jovens não sabem os sintomas e as possíveis complicações que elas podem trazer ao indivíduo, e acabam por manter relações sexuais desprotegidas, deixando-se infectar e infectando por outras pessoas. Para efeito de ilustração, uma pesquisa realizada em 2017 no Brasil, pela organização sem fins lucrativos DKT International, identificou que 47% dos entrevistados com idade entre 14 e 24 anos não usam camisinha nas relações sexuais.

Em virtude dessa ineficiência governamental, há um relevante aumento no número de casos de pessoas com idade juvenil acometidos por essas enfermidades. Dados da UNAids, órgão das Nações Unidas responsável pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (na sigla em inglês, “AIDS”), O Brasil vai na contramão do mundo e teve um aumento de 21% no número de novos casos de infecções por HIV de 2010 a 2018. De forma individual, DST’s além de afetarem a saúde de forma física, com complicações neurológicas e reprodutivas, que podem levar até mesmo ao óbito, elas também carregam consigo um alto grau de estigmas e preconceitos, ocasionando ao seu portador uma discriminação por parte da sociedade, gerando assim possíveis danos de natureza psicológica.             Portanto, urge que o Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Saúde elabore planos de ação para escolas públicas e privadas abordarem os temas que envolvam a sexualidade. Com o propósito de advertir a respeito das DST’s, deverão ser realizadas palestras que demonstrem as maneiras de prevenção dessas enfermidades, bem como a distribuição nessas visitações de métodos contraceptivos acessíveis, como o preservativo. Dessa forma, o Brasil poderá diminuir as taxas de doenças que afligem muitos dos seus filhos quer seja no corpo, quer seja na mente.