O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 26/04/2021
Lançado em 2019, o documentário “Carta para Além dos Muros” narra a evolução do vírus HIV no Brasil e mostra os estigmas impostos a quem vive com a doença. Nesse contexto, a falta de conhecimento em relação às doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), bem como a indiferença corrobora a disseminação dessas, principalmente entre os jovens. Assim, deve haver engajamento do governo no sentido de promover saúde e educação sexual à sociedade brasileira.
É pertinente elencar que os vírus e bactérias causadores das diversas DST’s são transmitidos por meio de relações sexuais sem o uso de preservativos. No entanto, a epidemia de maior repercussão foi a de Aids, na década de 1980, e a disseminação acometeu, primeiramente, os grupos mais vulneráveis como os homossexuais e profissionais do sexo. Dessa forma, o senso comum de que tais doenças estavam restritas às minorias proporcionou a necropolítica, conceito do filósofo Achille Mbembe referente a negligência do Estado frente à saúde de parte da população, segregada de acordo com parâmetros de gênero, de raça e socioeconômicos. Logo, a inércia do governo viabiliza a propagação devido à falta de tratamento e de conhecimento da sociedade, que ainda apresenta comportamento de risco.
Além disso, o documentário mencionado salienta o preconceito com as enfermidades e, consequentemente, o baixo índice de testes para diagnósticos. Dessa maneira, a subnotificação implica o crescimento das infecções entre a população jovem, visto que as precauções se limitam a métodos contraceptivos, de modo a evitar a gravidez em detrimento das doenças. Sendo assim, há sobrecarga do sistema público devido à grande demanda de tratamento, o que prejudica campanhas de prevenção e promoção da saúde.
Portanto, são necessárias ações para mitigar o aumento das DST’s no Brasil. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias Estaduais, proporcionar diagnósticos e tratamento à população, mediante o redirecionamento de verbas para a atenção primária - que deve promover campanhas de testagem e de divulgação de métodos preventivos -, com o intuito de reduzir a transmissão. Somado a isso, o Ministério da Educação e as escolas precisam aderir aulas de educação sexual que abordem a fisiologia humana e a história das patologias, para que os jovens tenham discernimento antes de iniciar a vida sexual.