O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 01/05/2021
No livro, “Depois Daquela Viagem”, a escritora Valéria Piassa narra a história de uma jovem que, após uma relação sexual desprotegida com o namorado, torna-se soropositiva. Isto posto, a personagem mostra como é passar toda a juventude sob o estigma da IST. Fora da ficção, mas de forma análoga, embora o número de infectados esteja em declínio, uma parcela crescente de adolescentes tem sido acometida por doenças infecciosas sexualmente transmissíveis. Por conseguinte, a falta de informação aliada à resistência ao uso de preservativos, fazem da nova geração portadora de uma invencibilidade ilusória, que a torna alheia aos cuidados essenciais e extremamente vulnerável.
A priori, evidencia-se que, em face de uma sociedade conservadora, as discussões acerca da sexualidade vigoram enquanto tabus. Em vista disso, a existência de informações confiáveis e amplamente discutidas torna-se inviável aos mais jovens. Concomitantemente, em 2019, o Ministério da Saúde encerrou as redes sociais do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e IST, o qual realizava a divulgação de dados sobre o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Desse modo, ao contrário dos anos 80, quando muito se discutia a AIDS e demais infecções, a dimuição da divulgação de métodos preventivos aliada ao preconceito de se fazer exames, fazem da juventude brasileira possuidora do maior registro de portadores de IST’s do país.
A posteriori, cabe ressaltar que o fato de muitas infecções sexualmente transmissíveis serem silenciosas, o que dificulta o diagnóstico e aumenta as chances de contágio, forja a consciência de que não há risco em ser infectado. Diante disso, segundo um estudo promovido pela “Agência Brasil”, 40% dos jovens no Brasil acreditam que a camisinha não protege contra DSTs, como sífilis, gonorreia e clamídia. Dessarte, um comportamento sexual desmedido, em que a inexistência do temor tornou-se uma constante, converte o adolescente em vetor de enfermidades que poderia ser facilmente evitadas com o uso de preservativos.
À vista disso, compreende-se a urgência em se discutir ações que auxiliem na relação do jovem brasileiro para com a sua sexualidade. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde promover o incentivo ao uso de preservativos, mediante a criação de campanhas nacionais nas mídias televisivas e nas redes socias que divulguem a crescente de casos e a importância no uso da camisinha, a fim de que a juventude possa entender a gravidade desses contágios e pratique o sexo seguro. De tal forma, se tornará possível conceber a adolescência enquanto uma fase não mais maculada pela égide das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).