O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 20/05/2021
O Artigo 196 da Constituição Federal garante que “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. Entretanto, apesar de sugerir que a assistência relacionada à saúde deve ser acessível a todos os cidadãos, é notório o crescimento do número de jovens com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) decorrente da ineficácia governamental e dos tabus vinculados ao tema. Dessa forma, torna-se necessário promover medidas que combatam efetivamente essa situação crescente no Brasil.
Em primeiro lugar, é fundamental destacar os fatores que levam ao aumento das ISTs entre a juventude brasileira, dentre eles, a negligência governamental na promoção da saúde desse grupo. Nesse sentido, a ausência de campanhas promovidas pelos órgãos do governo reduz o acesso à informação sobre a prática do sexo seguro, fortalecendo o crescimento dessas infecções entre os jovens. Acerca disso, o médico Dráuzio Varella refere-se ao sistema de saúde no Brasil como sendo centrado na doença, mas não na sua prevenção, evidenciando a importância do desenvolvimento de medidas preventivas para a contenção do avanço de infecções no país, entre elas, as sexualmente transmissíveis.
Em uma segunda análise, o estigma associado ao debate sobre a temática sexual é uma barreira que acarreta no crescimento das infecções transmitidas através do sexo entre a população jovem. Sob esse viés, a falta de educação sexual nas escolas permite a permanência de ideias errôneas sobre as ISTs e de tabus associados ao sexo e sexualidade, os quais são propagados devido à falta de informações e debates entre a população. Em decorrência desses fatores, o Sistema Único de Saúde sai penalizado, decorrente da sobrecarga gerada, e os indivíduos infectados viram vítimas de comentários preconceituosos.
Portanto, tornam-se necessárias medidas para combater o avanço das ISTs entre a população jovem no Brasil. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde associado às mídias sociais, com o intuito de romper com a falta de informações, promover campanhas sobre essas infecções. Ademais, cabe ao Ministério da Educação inserir nas escolas a disciplina de Educação Sexual, especialmente no Ensino Fundamental II, por meio de palestras e aulas com professores previamente treinados, a fim de acabar com os tabus e com a desinformação. Dessa maneira, o sistema de saúde não será penalizado, o preconceito contra a população infectada sofrerá redução e o Artigo 196 será respeitado.