O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 31/05/2021
Cazuza. Fred Mercury. Renato Russo. É incontestável o talento desses artistas, porém esses cantores não possuem apenas a exelência musical como ponto em comum, mas também a causa de suas precoces mortes: a AIDS. De modo lastimável, a epidemia dessa doença, na década de 1980, não está tão no passado brasileiro como deveria, visto o aumento das DSTs entre os jovens no Brasil hodierno. Entretanto, se no Século XX a desinformação científica era o que impulsionava a AIDS, hoje são a ineficiência estatal e os tabus sociais que promovem a disseminação das DSTs em geral.
Convém ressaltar, a princípio, a dificuldade do Estado em dialogar com o público jovem sobre saúde sexual. Isso porque, as campanhas de conscientização do uso de preservativos estão pouco presentes nas redes sociais. Nesse sentido, sendo a tecnologia o pilar do mundo contemporâneo, como afirmou o empresário Steve Jobs, o Estado brasileiro se mostra negligente, pois não investe massivamente em campanhas virtuais, mesmo vivenciando a era digital. Ademais, as propagandas de estímulo ao uso de preservativos são sazonais e arcaicas: aparecem apenas na época do Carnaval e não utilizam uma linguagem jovial, isto é, atores, gírias e referências do universo jovem. Assim, o Estado se mentém ineficiente e as DSTs, como a sífilis, se perpetuam entre a população.
Outrossim, vale salientar o receio dos brasileiros de falar sobre sexo. Nessa realidade conservadora, não há instrução aos jovens sobre os sintomas das DSTs e nem como previni-las. A prova desse tabu são as críticas acerca da possível implementação da educação sexual nas escolas do país, o que dificulta a normalização do debate sobre relações sexuais. Por conseguinte, o jovem fica com medo de questionar acerca do assunto com os adultos, pois eles aprendem que sexo é errado. Dessa forma, devido à falta de diálogo e consonante ao ditado “tudo que é proibido é mais gostoso”, os jovens praticam o sexo escondido e sem tomar as devidas precauções contra as DSTs.
Dessarte, é mister que o governo tome providências para mitigar o aumento dos casos das doenças sexualmente transmissíveis. Para melhorar o alcance das campanhas de prevenção às DSTs, urge que o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com as empresas de aplicativos, como Facebook e Instagram, crie propagandas que estimulem o uso de preservativos. Em síntese, deve-se contratar influenciadores digitais para abordarem o tema em publicações nas redes sociais. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Educação aumente o debate sobre a implementação da educação sexual nas escolas, realçando a sua importância e necessidade, a fim de diminuir os tabus sobre o assunto. Feito isso, as mortes de Cazuza, Fred Mercury e Renato Russo serão lembradas como um aprendizado acerca de uma doença já controlada.