O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 12/06/2021
Em um dos episódios da série “Sob Pressão”, que retrata o cotidiano dos hospitais públicos brasileiros, um casal está prestes a ter um filho, quando o marido, Antônio, descobre ser portador do vírus HIV e teme ter contaminado sua família. De maneira análoga, na vida real, diversos brasileiros, em especial os jovens, são acometidos com diversas DSTs – doenças sexualmente transmissíveis – e, por não conhecerem suas condições, infectam outros indivíduos, contribuindo para o aumento dessas doenças no país. É necessário, portanto, entender os fatores responsáveis por esse aumento de casos no país. Percebe-se, inicialmente, que a falta de informações da população brasileira a respeito das DSTs contribui significativamente para o aumento de casos dessas patologias no país. Isso porque, mediante a ausência de uma orientação adequada, os indivíduos perpetuam estigmas a respeito dessas doenças, seus portadores, e, consequentemente, dos avanços relacionados ao tratamento dessas infecções, fazendo com que a escassa discussão a respeito do assunto pela sociedade acarrete na baixa informatividade sobre essas patologias, constituindo um ciclo que leva milhares de jovens no país a desenvolver alguma doença sexual. Prova disso está na pesquisa do médico brasileiro Dráuzio Varella, intitulada “Violência Epidêmica”, a qual mostra que o ambiente e as informações que a criança está exposta durante seu desenvolvimento, serão perpetuadas na mesma e posteriormente repassadas de forma epidêmica. Outrossim, a banalização dos instrumentos de prevenção das DSTs, como a camisinha, entre os jovens, aliada às experiências de ‘sexo sem compromisso’ ofertadas por aplicativos, influencia fortemente na propagação das DSTs. Como mencionado por Hannah Arendt, renomada filósofa estadunidense, “o pior mal é aquele visto como cotidiano”, isso porque, no contexto da fase sexualmente ativa dos jovens brasileiros, o medo é ultrapassado pelo desejo da experimentação, fazendo com que a prevenção e o cuidado com as DSTs assuma um papel secundário nas relações sexuais, que são potencializadas pelo uso de aplicativos que ofertam ‘sexo sem compromisso’. Tal questão pode ser observada em pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, a qual mostra que quase metade dos jovens entre 15 e 24 anos não se protegem durante o sexo. É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para frear o aumento dessas DSTs entre os jovens no país. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve investir em práticas educacionais a respeito das DSTs, por meio de aulas e palestras durante o ensino fundamental e médio - visto que a o conhecimento adquirido nesta faixa etária tem mais chance de ser perpetuado -, a fim de . Além disso, aplicativos de cunho sexual devem investir em propaganda preventiva e incentivadora do sexo seguro, com o auxílio de imagens, vídeos e mensagens. Tais ações devem ser financiadas e supervisionadas, em parte, pelo Ministério da Saúde. A partir disso, será possível que cada vez mais Antônios possam cuidar integralmente de si e das pessoas com as quais se relaciona, freando contaminação das pessoas por doenças sexualmente transmissíveis.