O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 18/06/2021
Gabriele Fallopio, anatomista italiano, ainda no século XVI, já declarava a importância de se usar um saco de linho entorno da genitália masculina a fim de evitar a disseminação, na sociedade, de sífilis. Entretanto, no século XXI, o conhecimento científico construído não se revelou suficiente para conter o aumento, de infecções e de doenças, sexualmente transmissíveis, majoritariamente entre jovens. Portanto, tal conjuntura, entre a parcela da juventude brasileira, é fruto da banalização das DSTs e da ineficácia comunicativa, por parte da família e do Estado, responsáveis por potencializar o número de casos, no seio civil.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 1 milhão de pessoas, por dia, contraem DSTs no mundo. Dessa forma, o crescente número de casos torna, o estado de contaminação, banal, ao naturalizá-lo. Por conseguinte, a banalização, numa relação de reciprocidade e de interdependência, intensifica a contração de ISTs, pois retroalimenta-a e cria uma ciclicidade de difícil quebra. Ademais, tal aumento, no âmbito coletivo, amplia a pressão sobre os serviços públicos de saúde, que necessitarão de mais recursos financeiros a fim de controlar a situação - sob a perspectiva econômica, é menos custoso, financeiramente, prevenir do que tratar quadros clínicos duradouros - visto que as medidas preventivas sociais falharam.
Para mais, as principais medidas preventivas são fruto de uma comunicação eficaz – ação comunicativa de Jürgen Habermas, responsável por desenvolver a razão crítica ampla, por meio do diálogo. Não obstante, no cenário brasileiro, falar sobre sexo, tanto no seio familiar como no escolar, ainda é considerado um tabu – produto sociocultural - o que inviabiliza a construção da educação sexual, visto que não há diálogo, e, por conseguinte, não há uma eficiente medida de prevenção. Sendo assim, a subcomunicação, acerca da educação sexual, impera, na sociedade brasileira, por parte da Estado, ao se isentar da criação de projetos educativos, pautados na conversação, e deixa milhares de jovens à mercê das doenças sexualmente transmissíveis.
Logo, a fim de que se rompa a ciclicidade das DSTs, entre os jovens, e se garanta o direito à saúde da população brasileira, faz-se necessário que o Ministério da Saúde desenvolva campanhas midiáticas, ao longo de todo o ano, cujo diálogo seja efetivo e amplo, por meio das redes sociais e da utilização de figuras públicas importantes ao público alvo. Além disso, requer-se que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, estimule a educação sexual, por meio do diálogo transdisciplinar, construtor de criticidade, acerca das consequências, à curto e à longo prazo, do sexo desprotegido. Desse modo, à medida que a subcomunicação perece, há a predominância do conhecimento científico no seio civil.