O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 25/06/2021

Na década de 80, uma grande epidemia de HIV dizimou muitos jovens ao redor do mundo. No Brasil, grandes artistas como Cazuza e Renato Russo foram vítimas dessa tragédia. Mas, por meio de políticas públicas e devido aos avanços científicos, o número de casos fatais foi reduzido. Entretanto, apesar das perdas sofridas, uma nova geração de jovens pouco conscientes, e um tanto negligentes quanto a própria saúde sexual, trouxe a tona uma nova onda de DST’s. Tal problema, gera não apenas uma sobrecarga no sistema de saúde público mas também denuncia uma falta de acertividade por parte das campanhas governamentais de conscientização que não conseguem alcançar devidamente essa nova juventude.

De acordo com a Constituição Brasileira, a saúde é direito de todo cidadão e um dever do Estado. Partindo desse ponto, o sistema público de saúde tem a obrigação de fornecer tratamentos, cuidados e orientações à população. No entanto, com os meios e os recursos limitados o processo de atendimento precisa constantemente ser otimizado. Então, quando um jovem tendo a oportunidade de prevenir-se, deliberadamente escolhe não fazê-lo está contribuindo para a sobrecarga de um sistema já saturado. Esse comportamento irresponsável se agrava quando um jovem infectado contamina outros - muitas vezes sem saber que está contaminado - evidenciando a necessidade da testagem em massa e gratuita em locais estratégicos, como as escolas.

Além disso, é necessário que o modelo ultrapassado de orientação usado pelas políticas públicas seja revisto, haja vista que campanhas pontuais em datas específicas e em meios de alcance limitado não surtem o efeito desejado, pois com a liberdade de expressão e com os novos meios anticontraceptivos, surgiu uma maior liberdade sexual e um comportamento mais ativo por parte desses jovens. Da mesma forma, os meios de comunicação não podem ser mais os mesmos, pois com a internet é cada vez maior o tempo que esses jovens dedicam nas redes sociais, o que exige uma nova abordagem para a conscientização desse público alvo.

Dessa forma, cabe ao Governo, através do Ministério da Educação e da Saúde, investir em campanhas criativas utilizando as novas tecnologias nas redes socias e nas escolas, fornecendo aulas de orientação sexual e sobre a história das doenças sexualmente transmissíveis e suas consequências como parte do currículo escolar, bem como realizar testagens e oferecer apoio psicológico aos infectados, realizando pesquisas mensais para analisar o alcance dessas políticas. Dessa maneira, se atendo a mudança de comportamento da juventude e investindo nos meios acertivos de contato com ela, essa onda de infecção poderá dar lugar a uma onda de conscientização coletiva e gradual.