O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 05/08/2021

No final dos anos 80, com o avanço do vírus da imunodeficiência humana, o HIV, e o colapso de sistemas de saúde por todo o mundo, o governo brasileiro adotou medidas drásticas de controle e prevenção e foi reco-nhecido mundialmente como exemplar. No entanto, apesar dos esforços daquela época e das evoluções tec-nológicas e informacionais, o número de casos de jovens com DSTs volta a aumentar. Esse aumento é expli-cado pela banalização desse mal com a descoberta de formas de tratamento cada vez mais eficazes, e pelo despreparo das instituições sociais no que tange o diálogo com a juventude. Observa-se, nesse contexto, que o adoecimento dos jovens individual e coletivamente afeta a sociedade. Em primeiro lugar, é necessário analisar fatores responsáveis por essa ascenção constante das Doenças Se-xualmente Transmissíveis entre jovens. Em concordância com o pensamento de Hannah Arendt sobre o que seria a banalidade do mal, na qual as pessoas veem a prática do mal - atitudes sem ética, sem responsabilida-de social - como comportamentos normais num ambiente propício a isso, a eficácia dos tratamentos das DSTs e a diminuição de mortes propicia o sentimento de segurança que diminui o medo das novas gerações, que não presenciaram os horrores da epidemia da AIDS no final dos anos 80, e leva a relações sexuais desprotegi-das. Outro fator seria o despreparo do governo, da família e escola no diálogo com os jovens, que exige medidas diferenciadas e maior adequação ao tratar de assunto que ainda são tabus na sociedade brasileira. Em segundo lugar, observa-se que esse aumento causa prejuízos individuais e coletivos. No que diz respeito os prejuízos individuais, o adoecimento do jovem pela contaminação das Doenças Sexualmente Transmissíveis causa danos em várias esferas de sua vida: são afetados fatores neurológicos, sexuais, reprodutivos e especial-mente sociais, haja vista que o preconceito e o tabu pelo desconhecimento das infecções ainda persistem na sociedade brasileira. Tratando-se das consequências coletivas, nota-se uma maior pressão sobre o sistema público de saúde, o SUS, e um aumento dos gastos públicos para combater esses novos avanços, visto que o tratamento é proporcionado e mantido integralmente pelas assistências do governo. Fica claro, portanto, que a excelência brasileira no combate à epidemia da AIDS e às DSTs em geral perdeu força, e é necessário tomar um novo caminho para o estabelecimento do diálogo e o fim da banalização desse mal. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir nos currículos escolares aulas de Educação Sexual, por meio de palestras, para os pais, que incentive a comunicação sobre o tema com os filhos, e por meio da abordagem dos professores com os alunos, com o uso do diálogo como prática do ensino. Com isso, espera-se informar os jovens e seus responsáveis sobre o tema das DSTs e as formas de prevenção, provocando mais diálogo e cuidado no período de descobertas que é a juventude.