O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 20/07/2021
O filme “Bohemian Rhapsody” conta a história de Freddie Mercury, astro do rock e vocalista da banda Queen. O cantor, ao fim de sua carreira, descobriu que era portador do vírus HIV e dedicou seus últimos anos de vida contribuindo para a descoberta de uma cura para a AIDS. Embora não exista cura para essa doença, hoje existem remédios para controlá-la e os métodos de prevenção são conhecidos. Porém, a negligência a esses métodos se mostrou grande entre jovens que estão começando sua vida sexual, seja pela simplicidade da educação sexual nas escolas, seja pela precariedade da saúde nas periferias brasileiras.
A aprendizagem sobre os órgãos reprodutores nas escolas tem início no quarto ano do ensino fundamental, no qual as crianças possuem em torno de dez anos. Todavia, esse é um público que não está maduro o suficiente para receber educação sexual e, por isso, o ensino fica restrito apenas à parte biológica do assunto. Assim, o aprendizado sexual é retomado no ensino médio, cinco anos depois, quando os jovens estão, em teoria, começando vidas sexuais ativas. Segundo o site Uol Notícias, jovens entre 15 e 24 anos estão, em sua maioria, negligenciando o uso da camisinha e não apresentando interesse na realização de testes de DSTs. Dessa forma, é possível perceber que a educação sexual não está alcançando seu público alvo, pois os jovens não reconhecem a importância dos cuidados que devem ser tomados com relação ao sexo.
Além disso, vale ressaltar que nas periferias o acesso aos postos de saúde é difícil ou indiferente. O livro “Quarto de Despejo” trata de relatos de uma moradora da favela, nos quais expõe a falta de higiene e a impossibilidade de ir a postos devido a falta de dinheiro. Então, mesmo que a educação sexual apropriada alcance os jovens da periferia, eles não possuem o poder aquisitivo necessário para a compra de camisinhas, além de muitos postos de saúde não receberem os recursos necessários para o fornecimento de preservativos grátis a todos, muito menos para a realização de exames de DSTs.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação assegurar a eficácia do ensino sexual aos jovens, a partir da transmissão de materiais, oficializados pelo Ministério da Saúde, pelos professores aos alunos, a fim de melhorar o entendimento dos adolescentes sobre os perigos do sexo irresponsável. Cabe também ao governo federal, junto do Ministério da Saúde, assegurar a qualidade e acessibilidade dos postos de saúde em todas as regiões brasileiras, principalmente nas consideradas periféricas, para que todos lugares possam fornecer preservativos grátis e realizar exames de DSTs. Consequentemente, a taxa de doenças sexualmente trasmissíveis entre jovens diminuirá e aumentará a qualidade da saúde coletiva da sociedade brasileira.