O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 07/07/2021

Na série televisiva “Sex Education”, é retratado um surto de clamídia que atinge o Colégio de Moordale, estimulando o pânico entre estudantes e funcionários da escola. No caso, dedos são apontados a uma garota que, por conta da falta de conhecimento geral sobre o vetor de transmissão da doença, é isolada dos demais alunos. Fora da ficção, é indubitável que a constante desinformação sobre o assunto fomenta o aumento do número de casos de DST’s e IST’s no Brasil, resguardando um antigo preconceito sobre seus portadores e banalizando o uso de preservativos nas relações sexuais.

Primeiramente, é explícito como os portadores de doenças sexualmente transmissíveis desde sempre carregam consigo um estigma muito grande, gerado majoritariamente pela falta de informação sobre a enfermidade. Nesse cenário, cabe ilustrar o longametragem “Clube de Compra Dallas” que retrata a vida do Ron Woodroof, um eletrecista heterossexual que contrai o vírus HIV na década de 1980 e mesmo recebendo um diagnóstico de poucos meses de vida, recusa-se a completar o tratamento por puro preconceito. Sendo assim, evidencia-se a necessecidade de práticas que propaguem informações corretas a respeito das DST’s para se afastar do pensamento obscuro de Ron Woodroof que circula até hoje nas diversas camadas da sociedade.

Outrossim, é notório como a grande parcela da população, sobretudo adolescentes, não levam em consideração a importância do uso de preservativos para a redução das infecções sexualmente transmissíveis. De acordo com dados divulgados recentemente pela OMS - Organização Mundial da Saúde - apenas 40% dos jovens brasileiros não efetuaram sexo sem camisinha no último ano, além de que o país segue na contramão da tendência mundial do controle de doenças como a AIDS. Portanto, explicita-se a precariedade ou até mesmo a inexistência da educação sexual no sistema de ensino brasileiro, o que atua como catalisador das práticas supradescritas.

Perante os fatos mencionados, é mister que o Estado tome providências para controlar o caótico e perigoso quadro atual. Para a redução do aumento dos casos de IST’s e DST’s no Brasil, o Ministério da Educação deve, por meio de parcerias com profissionais da saúde, introduzir à partir do Ensino Fundamental II, práticas de educação sexual nas escolas que detalhem a importância do uso de preservativos nas relações sexuais, pois são eles os grandes inibidores de doenças que atualmente são incuráveis, como é o caso da AIDS e da herpes. Somente dessa maneira, o país conseguirá reduzir os casos de surtos descontrolados como o representado na série televisiva “Sex Education” e impedir pensamentos como os do protagonista da obra “Clube de Compra Dallas”.