O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 26/07/2021
Na série Grey ’s Anatomy, o personagem Dr Webber relembra em um dos episódios seu primeiro caso tratando um paciente com Aids ainda em sua época de residência, também sendo um dos primeiros casos registrados no oeste estadunidense. Nesse contexto, com a falta de recursos e o julgamento por associar a doença à sociedade gay, o paciente acaba por falecer. Fora da ficção, os casos da doença no Brasil se iniciaram por volta de 1982, e mesmo após certo controle a reincidência de uma epidemia de diversas IST ’s (infecções sexualmente transmissíveis) entre os jovens alarma o sistema de saúde. Deve-se isto, principalmente à falta de educação sexual adequada aos cidadãos, além da banalização do uso de preservativos.
Em primeiro plano, salienta-se a ineficiência e o desinteresse público pelo âmbito da educação sexual. Em julho de 2019, o presidente Jair Bolsonaro declarou recomendar de que os pais de adolescentes rasguem as cartilhas de educação sexual por incentivarem a realização de sexo, reafirmando a oposição governamenal sobre tal dinâmica. De acordo com o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, 27% dos alunos do 9º ano já tiveram relações sexuais, o que reforça a necessidade de uma efetiva aplicação da educação sexual desde o ensino fundamental.
Outrossim, a falta de seriedade para a problemática atribuída pela geração jovem nas últimas décadas contribuiu para esse infeliz cenário. Diante disso, a falta do uso de preservativos e as epidemias de doenças por transmissões sexuais aumentam cada vez mais. Segundo dados do Boletim Epidemiológico de IST ’s, entre 2009 e 2019 houve um aumento de mais de 60% das IST’ s entre os jovens de 15 a 19 anos. Dessa maneira, evidenciando a irresponsabilidade populacional com a saúde pública e individual.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para que exista a conscientização populacional, urge que o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação crie táticas adequadas para disseminar a educação sexual, por meio do processo de inseri-la no ensino fundamental como conteúdo curricular obrigatório desde o início do 6º ano. Além disso, promover palestras semestrais com os pais de alunos a fim de esclarecer o importante papel de tal abordagem. Ademais, reforçar os mecanismos já utilizados, como a distribuição de camisinhas e cartilhas educativas em postos de saúde, grandes eventos como o Carnaval, entre outros. Somente assim, será possível amenizar o quadro atual favorecendo a saúde e qualidade de vida para toda a população.