O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 28/07/2021
Em “Elite”, série transmitida pela Netflix, Marina é uma adolescente de família rica, que tenta a todo momento esconder que sua filha é soropositiva para o HIV, o que a faz não querer conversar abertamente sobre o assunto, uma vez que a infecção é vista de forma preconceituosa e pejorativa na trama. Fora da ficção, esse cenário cercado por tabus é uma realidade na sociedade brasileira, em que os casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis vem aumentando entre jovens, o que ocorre não só pela falta de diálogo na esfera familiar, mas também pela falta de inclusão de educação sexual nas escolas.
Sob esse viés, o moralismo religioso é um dos elementos que contribue para a falta de debates acerca das ISTs dentro da família. Essa que deveria ser uma instituição de socialização primária do indivíduo, consoante Émile Durkheim — filósofo, sociólogo e psicólogo francês — não cumpre esse papel ao evitar o diálogo com seus filhos, que o associa à imoralidade e à libertinagem. Logo, fica claro, essa alienação estimulada pelos pais não imputa no desaparecimento das infecções, pelo contrário, faz com que muitos jovens fiquem desamparados, busquem esse conhecimento por outros meios dubitáveis e consequentemente negligenciem a prevensão ao buscar o hedonismo.
Ademais, a lacuna educacional no que tange à educação sexual é mais um dos fatores que favorece veemente para que a temática das ISTs torne-se ignóbil. Nesse contexto, a psicóloga Bruna Zimmermann — especialista em sexualidade humana pela USP — defende que a educação sexual nada tem a ver com pornografia ou promiscuidade, mas sim com o conhecimento do corpo e suas limitações. Dessarte, então, é papel da escola — instituição social secundária para Durkheim — afastar qualquer tipo de estigma dos seus alunos, com o objetivo de formar cidadãos despreconceituosos e que não reproduzam saberes do senso comum, além de empáticos.
Desse modo, faz-se imperioso, pois, que as entidades familiares articuladas às escolares deem visibilidade ao tema e aos portadores das ISTs, que muitas das vezes são julgados e marginalizados. Com efeito, a partir do apoio de profissionais especializados na área, assim como Zimmermann, e por intermédio de palestras que abordem os aspectos educativos da sexualidade, a fim de que a mocidade tenha consciência dos riscos da não prevensão em relações sexuais, será factível que esse quadro de acréscimo das ISTs entre jovens brasileiros reduza com o tempo.