O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 12/08/2021

Conforme o artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visam à redução do risco de doença e ao acesso universal e igualitário. Entretanto, no que tange às políticas de controle de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), peças fulcrais no processo de conscientização da população, em especial dos jovens, visto que estão iniciando a prática sexual, há uma enorme carência. Tal fato deve-se principalmente, ao aspecto conservador da sociedade, que impede diálogos mais amplos sobre sexo e à ineficiência do Estado em promover campanhas que possibilitem o esclarecimento da população sobre as DSTs e os seus riscos.

Mormente, vale ressaltar que a sociedade brasileira é demasiadamente conservadora nos costumes e isso está diretamente relacionado com a dificuldade de se falar abertamente sobre sexo. Segundo o psicanalista Sigmund Freud, na obra “Totem e Tabu”, o tabu é conceito socialmente construído que, por se tratar de um tema desconfortável, restringe o debate e limita a formação de conhecimento. Nessa perspectiva, por diversas vezes, devido ao aspecto religioso, debater sobre sexo na adolescência é visto como algo impuro e que deve ser evitado. Desse modo, o assunto torna-se velado e, por conseguinte, menos informações são expostas, facilitando, assim, o aumento de DSTs.

Ademais, associado ao caráter velado do tema, o número diminuto de campanhas de conscientização sobre os riscos e consequências da prática sexual, sem o devido cuidado, agrava a problemática. Se outrora, por um lado, ídolos da população jovem, como Cazuza e Freddie Mercury, definhavam, devido à DSTs e à falta de tratamento adequado, por outro, o medo pressionava o Poder Público a promover campanhas sobre o uso de preservativos, a fim de impedir que o desfecho dos jovens fosse semelhante ao dos seus ídolos. Contudo, com desenvolvimento de novos tratamentos, o cenário de definhamento foi atenudado e, consequentemente, as campanhas de conscientização foram reduzidas e tornaram-se quase nulas. Dessa maneira, a negligência do Estado é causa direta no aumento de DSTs entre jovens brasileiros.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Logo, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com os meios de comunicação e redes sociais, como Facebook e Twitter, uma vez que são amplamente utilizadas pelos jovens, deve promover campanhas de conscientização ao longo do ano, com o fito de esclarecer os riscos do ato sexual sem preservativo. Assim, a população terá mais informações sobre saúde e o direito constitucional será assegurado.