O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 12/09/2021

Na série televisiva “Sex Education”, o protagonista Otis é filho de uma terapeuta sexual, e, por conta disso, começa a dar conselhos sexuais para seus colegas. A história ainda retrata o desconhecimento e o preconceito associado às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). De maneira análoga, nota-se que a população brasileira, especialmente a mais jovem, não se protege adequadamente contra as ISTs, devido à desinformação quanto ao tratamento dessas doenças e à falta de educação sexual.

Convém ressaltar, a princípio, que dados divulgados em 2016 pela Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP) informam que pouco mais de 1/5 das pessoas entrevistadas acham que existe cura para a Aids. Além disso, foi divulgado por essa mesma pesquisa, que 3/5 das pessoas jovens, de 15 a 24 anos, fizeram sexo sem preservativo no ano anterior ao ano em que a pesquisa foi feita. Sob essa ótica, é visível como a desinformação quanto ao tratamento das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) tornaram o uso de métodos preventivos banais, visto que pensam que é possível se curar dessas doenças.

Em segundo plano, vale destacar que a falta de educação sexual também se enquadra como um empasse para a diminuição de casos de DSTs. Segundo a UNAids, órgão das Nações Unidas que lida com a doença, foram quase 50 mil novos casos registrados em 2016 no Brasil, sendo que a tendência mundial de novos casos está em queda. Posto isso, essa tendência contrária à mundial se dá pelo desconhecimento, principalmente advindo dos jovens, quanto aos métodos preventivos, dado que associam a camisa-de-vênus mais à um método contraceptivo que preventivo, mesmo que seja o melhor método para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Torna-se evidente, portanto, a adoção de medidas para a resolução desse problema. Para isso, faz-se necessário a promoção de campanhas publicitárias veiculadas pelo Ministério da Saúde, concomitantemente à introdução de educação sexual na grade curricular das escolas de nível médio, que seriam desenvolvidas pelas secretarias de educação de cada estado e ministradas por profissionais da saúde. Ambas as propostas visam atingir o público mais afetado pelas ISTs, os jovens, promovendo informação, para que sejam atenuados os casos de doenças sexualmente transmissíveis no Brasil.