O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 23/09/2021
No livro “Você tem a vida inteira”, do autor brasileiro Lucas Rocha, é apresentada a realidade de Ian, Vitor e Henrique, que têm suas vidas abaladas e entrecortadas pelo diagnóstico do HIV. Hodiernamente, a situação referente ao livro tem sido cada vez mais vista na realidade atual da juventude brasileira. Neste sentido, infere-se que o aumento das DSTs entre os jovens do Brasil é um problema. Tal problema é fruto, principalmente, do tabu que permeia a sociedade e da negligência estatal para com educação sexual de seus cidadãos.
Em primeira instância, urge visar a forma com que grande parte da sociedade aborda questões sexuais, seja em ambientes sociais ou na própria família. Consoante Immanuel Kant, filósofo prussiano, o tabu pode se revelar esclarecedor para compreender-se a noção do “imperativo categórico”. Nesta conjuntura, muitos jovens e adolescentes, que estão iniciando a vida sexual, não recebem apoio familiar, visto que o sexo ainda é analisado como algo “vergonhoso”. Como consequência, a indolência familiar corrobora com o não uso de preservativos. Segundo o Estadão, em 2016, 6 em cada 10 jovens não faziam uso, o que contribui com grande aumento das infecções sexualmente transmissíveis.
Ademais, diante da falta de vigência pública, torna-se necessário destacar o descaso do Estado para com a educação sexual de seus cidadãos. Ao lidar com essa temática, as escolas públicas não a inferem como matéria única, de alto grau de importância, não inovam e nem apresentam os danos do não uso de preservativos, assim como não incentivam a conversa destinada à abordagem da vida sexual nas casas e famílias, como apontado pelo portal de notícias G1. Dessa forma, muitos jovens chegam a desconhecer as DSTs, sua maneira de transmissão e até mesmo a forma de se usar um preservativo. Por conseguinte, a juventude encontra acesso limitado à informação sexual, tanto nas escolas como nas próprias casas, o que colabora com grande aumento de DSTs e fere a constituição de 1988, visto que é dever do Estado oferecer educação de qualidade, o que inclui a educação sexual.
Portanto, é inegável o modo com que as doenças sexualmente transmissíveis são cada vez mais disseminadas e cada vez menos abordadas pela sociedade atual. Cabe, então, ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, tratar DSTs como algo sério e grave, investindo em políticas educacionais, por meio da inserção de aulas abrangentes, sérias e obrigatórias, com distribuição gratuita de preservativos em escolas e vídeos socioeducativos que ensinem a gravidade da matéria e promovam a discussão da temática nos lares. Assim, poder-se-á observar um Brasil saudável e em progresso, e a realidade vista em “Você tem a vida inteira” ficará restrita à ficção.