O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 08/10/2021
Consoante o Artigo 196 da Carta Magna, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visam à redução do risco de doença e ao acesso universal e igualitário. Todavia, no que tange à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST)s, há uma enorme carência. Tal fato deve-se, principalmente, ao caráter conservador da sociedade, que impede que assuntos relacionados à sexualidade sejam amplamente debatidos, e ao distanciamento histórico dos mais jovens em relação aos impactos que essas doenças causaram no passado.
Mormente, vale ressaltar que os aspectos conservadores da sociedade estão diretamente relacionados com o aumento de casos de DSTs entre os jovens. Segundo o psicanalista Sigmund Freud, na obra “Totem e Tabu”, o tabu é um conceito socialmente construído que, por se tratar de um tema desconfortável, restringe o debate e limita a formação de conhecimento. Nesse cenário, devido às questões de credo, por diversas vezes, debater sobre sexo na adolescência é visto como algo impuro e que deve ser evitado. Desse modo, o assunto torna-se velado e as informações necessároias para proteger os jovens não alcançam o público alvo, causando, assim, um aumento no número de casos dessas doenças.
Ademais, associado ao caráter velado do tema, há, também, um distanciamento temporal entre as gerações que sofreram os impactos das DSTs de modo mais profundo e as novas gerações, o que possibilita um certo decaso e negligenciamento do jovem contemporâneo. Conforme retratado no filme “Bohemian Rhapsody”, quando o vocalista da banda “Queen” começou a apresentar e expor os sintomas da AIDS, o medo e a comoção dos jovens que viam o seu ídolo definhar, gerou um maior debate e uma maior divulgação de informações sobre o tema. Entretanto, hodiernamente, devido aos avanços tecnológicos, o perecer dos ídolos é menos impactante, o que leva o jovem a subestimar a gravidade do problema e, consequentemente, negligenciar a prevenção, como o uso de preservativos.
Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Logo, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com as Secretarias de Educação, deve promover campanhas publicitárias, a fim de informar os jovens sobre os riscos e consequências de contrair DSTs. Essas campanhas devem ocorrer nas mídias digitais, como Facebook e Youtube, no intuito de alcançar o maior contigente do público jovem. Se assim feito, o direito constitucional será efetivado.