O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 19/10/2021
No final do século XX, as infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) vitimaram inúmeras celebridades, a exemplo do estimado cantor e compositor Renato Russo. Atualmente, embora a informação e as medidas preventivas sejam muito mais acessíveis do que na época de Russo, o combate às IST’s ainda é um desafio em virtude, sobretudo, da popularização da pornografia entre crianças e da falta de prudência de jovens, alicerçada biologicamente.
De fato, os filmes adultos, com o advento da internet, passaram a ser consumidos, também, por infantes, o que trouxe consequências comportamentais que promovem maior propagação de infecções sexualmente transmissíveis. Isso é explicado pelo escritor Ben Shapiro no livro ‘’Geração Pornô’’. Segundo o autor, o contato das crianças com a pornografia, facilmente acessada na contemporaneidade, serve de incentivo para o início precoce da vida sexual, o que, frequentemente, ocorre antes da conscientização em relação à necessidade do uso de preservativos. Por conseguinte, os infantes se tornam alvos suscetíveis às IST’s, o que dificulta a contenção da disseminação dessas doenças na sociedade.
Além da exposição precoce ao erotismo, outro fator que complementa o desafio da redução de contágio pelas infecções sexualmente transmissíveis é a debilitada capacidade de raciocinar de jovens. De acordo com a neurociência, o lobo frontal, responsável pelo processo de tomada de decisões, só é completamente formado a partir dos dezoito anos. Isso significa que há, em adolescentes, uma dificuldade maior em raciocinar, o que pode levar a atitudes inconsequentes, como a prática sexual desprotegida, que os expõe a riscos de contágio. Dessa forma, aspectos biológicos na juventude também agravam a situação das IST’s no território brasileiro.
Portanto, percebe-se que o combate das infecções sexualmente transmissíveis, no Brasil, sofre com os desafios do acesso precoce à pornografia e da natural falta de juízo de jovens. Por isso, cabe à mídia, em parceria com o Estatuto da Criança e do Adolescente, conscientizar os pais e responsáveis, por meio de campanhas, acerca dos perigos dos filmes adultos para crianças, o que incentivará maior controle sobre o conteúdo acessado pelos filhos. Ademais, as instituições de ensino devem reforçar, nas aulas de biologia, a necessidade de pensar de forma racional antes das práticas sexuais, alarmando os jovens de sua condição biologicamente menos ajuizada para que isso seja, também, levado em conta na tomada de decisões. Assim, casos como o de Renato Russo ficarão onde há muito deveriam estar: no passado.