O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 28/10/2021

Segundo o Iluminismo, movimento intelectual surgido na Europa, no século XVIII, “uma sociedade só progride quando um mobiliza- se com o problema do outro”. Desse modo, para que essa comunidade seja igualitária e coesa, é necessário que o bem-estar social seja garantido. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, tal doutrina não é plenamente posta em prática, visto que ainda há desafios para conter o aumento de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens, o que explicita a carência de engajamento governamental para a formação de uma sociedade verdadeiramente íntegra.

De início, é notório que o governo brasileiro já proporciona condições para que o maior percentual da população desfrute de uma vida digna e saudável. Pode – se mencionar, por exemplo, a distribuição gratuita de preservativos masculinos e femininos, em Unidades Básicas de Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde, cujo objetivo é, dentre outros, a prevenção do usuário e de seu parceiro contra infecções sexualmente transmissíveis. Tal fato, de certa forma, demonstra que há intenção governamental em preparar a comunidade para usufruir de seus direitos previstos pela Constituição Federativa.

Contudo, medidas como essas não são suficientemente capazes de atenuar a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis entre adolescentes no país. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, mais de um milhão de pessoas por dia contraem infecções sexualmente transmissíveis, às quais tem impacto na saúde de adultos, adolescentes e crianças. Ademais, devido ao baixo nível educacional destinado para a maior parcela da sociedade brasileira, ainda incapaz de manter uma postura crítica e consciente, vê- se, diariamente, a falta de informação, o que contribui para relações sexuais sem proteção, e, consequentemente, ocasionam não só crise no sistema de saúde, com riscos endêmicos de doenças sexualmente transmissíveis como gonorreia e sífilis, mas também enfermidades neurológicas, cardiovasculares e infertilidade.

Compreende – se, pelos fatos expostos, que há necessidade de maiores investimentos na Educação Básica. Para tanto, é prudente que o Estado, por meio do Ministério da Educação, não só modifique seu currículo escolar, para contemplar aulas de educação sexual, semanalmente, desde o ensino fundamental, com ênfase na propagação de informações sobre doenças sexualmente transmissíveis e como preveni-las, mas também em parceria com Organizações não Governamentais, desenvolva debates, no contexto escolar e para toda comunidade, sobre o uso de preservativos e seus benefícios, com a finalidade de conscientizar a população da importância de se viver em uma sociedade harmônica. Se assim for feito, perdurará uma sociedade pautada nos ideais iluministas.