O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 10/11/2021
A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – garante o direito à educação e saúde. No entanto, quando se observa o aumento de DSTs entre jovens brasileiros, verifica-se que o ideal da legalização é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela carência de posicionamento político, seja pela banalização das doenças sexualmente transmissíveis.
Nessa conjuntura, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de medidas suficientemente efetivas para reduzir os casos de DSTs entre os jovens. Essa lógica é comparada pelo papel passivo que o Ministério da Educação exerce na administração do país, já que foi instituído para propor desenvolvimento educacional amplo e acesso à informação, porém falha ao não introduzir debates e aulas, desde o ensino fundamental, sobre educação sexual e infecções que são transmitidas pelo sexo sem proteção, a fim de formar futuros indivíduos conscientes. Dessa maneira, tal perspectiva contrasta com a ideia aristotélica de que a política deve equilibrar a sociedade.
Outrossim, destaca-se a banalização das DSTs como impulsionador do problema. Nesse viés, no livro “Eichmann em Jerusalém”, Hannah Arendt afirma que o estado social de conformidade a atos errôneos resulta na banalidade do mal. Sob essa ótica, ao seguir essa linha de pensamento, percebe-se a vontade dos jovens de apenas viverem o momento sem medo e sem pensar nas consequências é o ponto como o ponto de ignição para a rápida expansão dos casos de ISTs, já que por meio dessa prática eles não se questionam sobre os riscos que estão exposto – seja o de transmitir, seja o de contrair. Dessa forma, tal fato é ratificado por uma pesquisa da UOL que apontou que quase 50% dos indivíduos entre 15 e 24 anos nunca usaram preservativo. Logo, pela falta de pensar nas consequências, as DSTs são normalizadas.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar essa mazela social. Paralelamente, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve propor a criação de um projeto de educação sexual nas escolas, por meio de carta entregue à Câmara dos Deputados. Tal projeto oferecerá, mensalmente, debates e aulas, com profissionais da área, acerca do tema “relações sexuais seguras e infecções sexualmente transmissíveis”. Espera-se, com essa ação, retardar o aumento de DSTs entre jovens e assegurar os direitos propostos pela Carta Magna de 1988.