O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/11/2021
A série “Sex Education”, produzida pela Netflix, representa como a abordagem superficial em torno de temas, como o sexo, pode causar sérios problemas no que tange à saúde pública. No contexto brasileiro atual, percebe-se que o aumento das doenças sexualmente transmissíveis — DSTs — entre aqueles que se encontram na juventude está intrinsecamente ligado a uma questão cultural e histórica. Nesse contexto, a banalização dos métodos de proteção em contraste à priorização dos métodos contraceptivos e o tabu presente na sociedade brasileira fundamentam a problemática.
A priori, é cabível a discussão do porquê que os métodos contraceptivos são priorizados em detrimento dos relacionados aos de prevenção de doenças. Isso acontece, porque historicamente, um dos papéis sociais do indivíduo era a geração de descendentes que pudessem dar continuidade ao seu legado. Entretanto, na contemporaneidade esse papel social encontra-se em desconstrução e substituição por um pensamento voltado para o controle de natalidade, onde as pessoas, principalmente os jovens, têm focado apenas em maneiras de evitar a reprodução, como o uso de pílulas anticoncepcionais. No entanto, algumas dessas maneiras evitam apenas a natalidade e não previnem infecções, logo, os jovens adquirem DSTs por negligenciarem o uso de meios de proteção como o preservativo, o que gera um efeito cascata, o qual cria um problema sanitário coletivo.
Outrossim, é válido ressaltar que o tabu existente na sociedade brasileira intensifica a problemática tratada. Isso porque, embora os jovens tenham mais acesso às informações do que as gerações anteriores, a maneira como é tratado o tema ainda é limitada e superficial. Nesse sentido, como afirmou o sociólogo Gilberto Freyre, “Sem um fim social o saber será a maior das futilidades”, ou seja, ainda que exista um maior acesso aos conhecimentos que podem prevenir as enfermidades citadas, o tratamento dessas informações de modo a incutir no jovem, uma conduta sexual adequada, ainda é restrito e ínfimo no âmbito familiar e educacional. Essa abordagem superficial é oriunda do contexto histórico-cultural que a nossa civilização foi fundada, onde temas, como sexo, sexualidade e gravidez eram censurados. Dessa forma, assim como na série “Sex Education”, os adolescentes crescem em meios em que não são incentivados a se protegerem, o que catalisa o problema abordado.
Dado o exposto, são necessárias ações estatais que possam alterar o cenário exposto. Logo, cabe os Ministérios da Saúde e Educação, órgãos federais associados às pautas sanitária e educacional, devem inserir, por meio de escolas e centros sociais, campanhas socioeducativas que possam introduzir nos adolescentes a necessidade de se prevenir contra as enfermidades citadas e nos pais a de discutir tais tópicos com os filhos. Ao seguir nessa linha, o ponto tratado seria atenuado.