O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 07/04/2022
A série “Sex Education”, da Netflix, retrata o despreparo do corpo docente de uma escola ao lidar com questões envolvendo o sexo, o que coloca os jovens em situação de vulnerabilidade. Analogamente à ficção, a realidade brasileira é similar, tendo em vista a crescente disseminação de doenças sexualmente transmissíveis -DSTs -entre adolescentes. Desse modo, é inegável que esse panorama vergonhoso precisa ser debatido com base em aspectos educacionais e governamentais.
Em primeiro plano, evidencia-se a ausência de educação sexual nas escolas como um óbice. Isso ocorre pois, de acordo com o filósofo Francis Bacon, saber é poder, ou seja, o conhecimento sobre a sexualidade e o próprio corpo oferece ao indivíduo o poder de realizar escolhas mais conscientes. Nesse sentido, a falta de informação compromete a realização de relações sexuais seguras entre os jovens, que ficam mais expostos às DSTs. Por conseguinte, é incontestável o prejuízo à saúde física e mental dos indivíduos afetados.
Em segundo plano, é importante mencionar o insustentável paradoxo existente no Brasil: enquanto a Constituição Federal assegura o direito à saúde, em seu artigo 6º, na prática isso não ocorre. Prova disso são os dados da UOL, que mostram o ínfimo número de jovens que fizeram o teste de HIV - vírus causador da Aids- correspondente à 25%. Nesse viés, há uma falha governamental em divulgar para os jovens os testes gratuitos ofereceidos pelo Sistema Único de Saúde para averiguar a existência de DSTs, bem como sua importância. O resultado disso é a sobrecarga da saúde pública com o tratamento das doenças em fases agudas, situação insustentável que precisa ser revertida.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas urgentes para amenizar esse quadro. Logo, o Ministério da Saúde deverá realizar aulões de fisiologia humana nas escolas, flocados em educação sexual, informando sobre métodos contraceptivos que previnam, além da gravidez, as doenças e a importância de exames preventivos. Essa ação deverá ser feita por meio de parceria com ONGs, afim de desenvolver nos jovens consciência corporal e escolhas seguras nas relações íntimas. Assim, espera-se que situações como a ocorrida em “Sex Education” não sejam mais comuns no contexto nacional.