O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 14/08/2024
O crescimento de enfermidades sexualmente transmissíveis (ISTs) entre jovens do Brasil está se transformando em uma preocupação crescente para os serviços de saúde. Este quadro retrata desafios significativos, tais como a carência de educação sexual abrangente e as consequências das mudanças no comportamento dos jovens.
A falta de educação sexual adequada nas escolas é um dos principais motivos para o aumento das DTS entre os jovens. Na teoria de Pierre Bourdieu sobre o “habitus”, ele enfatiza que as práticas sociais são influenciadas por padrões culturais e educacionais. Em diversas escolas no Brasil, a educação sexual ainda é abordada superficialmente ou completamente ignorada. A falta de ensino impede os jovens de compreenderem os riscos das DSTs e a importância do uso de preservativos. Segundo dados do Ministério da Saúde, houve aumento na taxa de infecções por sífilis e HIV entre jovens de 15 a 24 anos, apontando para uma deficiência na prevenção.
Além da ausência de ensino sexual, as alterações nas interações sociais e comportamentos dos jovens também têm uma influência significativa nesse aumento. O livro “Modernidade Líquida”, escrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman, aborda a fragilidade e a fluidez presentes nas relações atuais, incluindo o impacto disso no comportamento sexual dos jovens. A procura por encontros casuais e a facilidade de utilizar aplicativos de relacionamento resultaram em menos preocupação com segurança e mais práticas sexuais sem proteção. Uma investigação realizada pela Fiocruz indica que a frequência do uso de preservativos por jovens está em queda, confirmando a crescente incidência de DSTs.
Diante desse cenário, é fundamental que o governo federal, em parceria com as Secretarias de Educação e Saúde, implemente um programa nacional de educação sexual nas escolas, que aborde de forma clara e acessível às questões relacionadas às DSTs e à prevenção. Além disso, campanhas publicitárias voltadas ao público jovem, utilizando as redes sociais como meio de disseminação, podem reforçar a importância do uso de preservativos e reduzir a disseminação dessas doenças.