O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 24/03/2020

Durante o período colonial, as queimadas eram usadas com o interesse econômico de retirar a vegetação para a instalação da agropecuária, além de que, para muitos, essa prática era um meio de restabelecer os nutrientes do solo. Hoje, mesmo depois de séculos, tal percepção não se altera e, apesar dos motivadores naturais, os incêndios florestais causados pela ação humana são cada vez mais recorrentes no Brasil, principalmente devido a falta de ações governamentais. Dessa forma, o desequilíbrio ambiental encontra-se como a principal consequência desse cenário.

A princípio, sabe-se que para combater tais práticas é necessário que a fiscalização seja rigorosa. No entanto, apesar de a Lei de Crimes Florestais determinar que os incêndios não licenciados são atos criminosos e dignos de penalizações, na prática a falta de recursos resulta no descumprimento legislativo. Haja vista que, de acordo o Ministério do Meio Ambiente, só em 2019 houve a redução orçamentária de 187 milhões de reais na área, o que limita o suporte para o rastreamento e combate aos focos. Essa conjuntura, consoante às teorias de Michel Foucault, configura-se um descumprimento do “biopoder”, pois o governo não exerce a autonomia de controlar os problemas da nação e, ao contrário disso, contribui para a impunidade dos infratores para o aumento das queimadas que, no último ano, obteve acréscimo de mais 80%, segundo o jornal O Globo.

Em consequência disso, as transformações ambientais se mostram como os prejuízos mais intensos. Nesse aspecto, a famosa frase “o homem é o lobo do homem” - prevista pelo pacto social do filósofo Thomas Hobbes - adquire sentido em um cenário em que, na constante busca pela maximização dos lucros, a prática de incêndios florestais no Brasil, além de comprometer a existência da maior biodiversidade do mundo, segundo a Conferência Rio 92, também coloca em risco a vida humana. Isso porque, a longo prazo, emissão de gases tóxicos pela combustão são capazes de elevar a temperatura do planeta, o que prejudica a manutenção de funções vitais para o organismo. Diante disso, percebe-se a gravidade e a ciclicidade dos problemas que os incêndios às matas brasileiras podem gerar.

Diante do exposto, é evidente que o aumento das queimadas no país se deve à falta de políticas públicas. No intuito de reverter esse quadro, urge que o Poder Executivo amplie o orçamento destinado aos órgãos ambientais, mediante o investimento em sistemas de monitoramento e em equipamentos de combate ao fogo, a fim de identificar os criminosos e eliminar os focos com mais agilidade. Ademais, é importante que as Conferências Ambientais adotem políticas de conscientização, por meio de campanhas mundiais nas redes sociais, com o objetivo de alertar as pessoas sobre a gravidade de seus atos. Dessa forma, o homem conseguirá viver em harmonia com a própria existência.