O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 13/07/2020

Ainda no século XX, Drummond escreveu o poema “no meio do caminho tinha uma pedra”. Apesar do lapso temporal, a metáfora da pedra ainda é percebida com o aumento de incêndios nas matas brasileiras, que se apresentam como uma barreira para o desenvolvimento do país. Nesse viés, é notório que o individualismo das elites brasileiras e a negligência governamental contribuem com a exploração criminosa do patrimônio natural do Brasil.

Em primeira análise, o individualismo da sociedade do capital é uma das causas do aumento de incêndios nas matas brasileiras. Essa realidade pode ser justificada, pois, segundo o filósofo Zygmund Bauman, a população tem sido dominada pelo fenômeno da “Modernidade Líquida”. Ou seja, as principais características do corpo social, sobretudo da elite brasileira, têm sido o individualismo e a falta de alteridade, as quais o faz visar apenas o aumento do lucro de suas empresas, em detrimento do bem estar das matas brasileiras e dos que nela vivem. Prova disso é que, com base em dados do site OGlobo, em 2017, os incêndios criminosos destruíram cerca de um milhão de hectares de unidades de conservação. Como resultado, diversas espécies, como a da arara azul, correm riscos de extinção devido a perda da vegetação de onde retiravam seus alimentos e ao aumento da temperatura dos locais afetados.

Outrossim, a banalização por parte do Governo, também, coopera com o crescimento de incêndios nas matas brasileiras. Esse cenário se enquadra na “Lógica acumulativa do capital”, de Celso Furtado. De acordo com o economista, o Governo investe de maneira excludente nos ramos do país; isto é, prefere direcionar suas aplicações a setores que lhe deem rápido retorno financeiro, como o setor primário, mas não ao aumento de fiscalizações e combates aos incêndios criminosos nas matas do Brasil. Assim, essas queimadas se apresentam como um dos expoentes para o subdesenvolvimento do país, visto que comprometem a economia nacional por prejudicar a renovação dos recursos extraídos e contribuem para a formação da chuva ácida e consequente corrosão de monumentos nacionais.

Portanto, diante do aumento de incêndios nas matas do Brasil, é necessário que o Poder Legislativo crie restrições às industrias. Isso, a partir de uma lei que limite a extração de recursos e obrigue as empresas a restaurarem a parte explorada, com o propósito de que se mantenha o equilíbrio ecológico e que diminua os riscos de extinção do ecossistema. Ademais, o Ministério da Fazenda, por meio de justos direcionamentos de verba, tem que assegurar uma efetiva fiscalização das matas, com a disponibilização de satélites e patrulhas militares, a fim de que se encontre e controle os focos de incêndios e, também, localize os responsáveis pelas queimadas.