O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 13/07/2020
De acordo com o filósofo Arne Naess: “O pensamento pelo futuro tem que ser leal à natureza”. No entanto, nota-se, no Brasil, uma antítese a essa ideia, visto que a degradação ambiental, principalmente pelas queimadas florestais, é tão comum no país, de modo que o presente se sobrepõe ao futuro. Nesse sentido, boa parte do aumento dos incêndios nas matas brasileiras está ligado à expansão da agropecuária, além de ser um reflexo de uma sociedade facilmente manipulada e pouco crítica.
Em primeira análise, vale salientar que a natureza é de suma importância para os seres vivos, de modo a fornecer subsídios para o bom funcionamento da biosfera. No entanto, no Brasil, as diversas queimadas florestais mostram a omissão do Poder Público frente ao desmatamento causado pelo fogo. Nesse sentido, os incêndios nas matas brasileiras estão, boa parte das vezes, relacionados a expansão de terras, de forma ilegal, para a criação de gados e fomento ao agronegócio. Prova disso é que, de acordo com o site “UOL”, em 2019, 90% das queimadas em áreas de agronegócio, na Amazônia, são para criar gado. Nessa perspectiva, percebe-se o quanto a prática da pecuária extensiva influencia o desmatamento das florestas por meio da combustão, de modo que o bom senso e o cuidado com a natureza tornam-se duas vertentes pouco difundidas no país.
Em segunda análise, vale ressaltar que o aumento das queimadas florestais pode ser o reflexo de uma sociedade omissa, de fácil manipulação, em que a criticidade não se faz tão presente. Nesse sentido, por saberem de tal condição social, a mídia, juntamente com vertentes do agronegócio “romantiza”, indiretamente, a expansão da pecuária e da soja. Prova disso é a propaganda da rede globo: “agro é tec, agro é pop, agro é tudo.”. Ou seja, muitos indivíduos banalizam os desmatamentos causados pelas queimadas, de modo que a cobrança ao Estado por uma maior conservação da natureza torna-se muito ínfima. Ademais, é válido salientar que muitos sujeitos são movidos pelo egocentrismo, isto é, o fato de não estarem sendo diretamente atingidos pelas consequências dos incêndios nas matas, dificulta uma ação mais incisiva no combate a esses crimes.
Portanto, com o objetivo de atenuar as queimadas florestais, o Ministério do meio ambiente pode incentivar os governadores dos estados mais propícios a esses atos criminosos, a abrir concursos públicos para policia ambiental, de modo a aumentar a fiscalização nessas áreas. Outrossim, o MEC deve investir recursos financeiros no sistema educacional brasileiro, com o intuito de incentivar um ensino crítico e reflexivo por parte dos professores, a começar pelas graduações dos futuros docentes nas universidades, de modo que os indivíduos tornem-se seres com “autonomia de pensamento” e de difícil manipulação. Dessa forma, o ideal proposto por Arne Naess começará a ser compreendido.