O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 16/07/2020
O personagem Curupira é muito famoso no folclore por ser o maior defensor das matas brasileiras, assustando os caçadores e os agressores da flora e a sua história tem, como objetivo principal, alertar sobre os danos causados devido a destruição das florestas no país. Contudo, meios de devastação ambiental são recorrentes no território nacional e, com o passar dos anos, os índices de práticas, como os incêndios, aumentaram exponencialmente. Sob esse viés, é fundamental discutir os principais motivadores de tal procedimento, assim como os reflexos para a sociedade.
É imprescindível compreender, em primeira análise, que as matas brasileiras, desde a colonização, são utilizadas como um meio para impulsionar a economia. Isso porque, atualmente, o agronegócio é um ramo econômico em expansão no Brasil e uma das principais estratégias para o seu crescimento é a liberação de grandes porções de terra para plantio e para os rebanhos. Entretanto, esse objetivo é alcançado por meio de incêndios e de forma ilegal, afetando a biodiversidade do território. Vale ressaltar ainda que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, cerca de 90% das áreas queimadas tinham como destino a criação de gado. Embora esse setor tenha uma extrema importância econômica, é necessário que haja um controle adequado e uma fiscalização nessas regiões afetadas.
Ademais, nota-se que, em função do desenvolvimento a qualquer custo, não há uma análise criteriosa a respeito dos danos causados para o meio ambiente e, em consequência para a sociedade. Tal relação se baseia no fato de que, com a intensificação das queimadas provocadas pela ação antrópica, há uma alteração da pirâmide ecológica, ocasionando um decréscimo do número de espécies vegetais, logo a concentração de oxigênio no ar é menor, corroborando para problemas de saúde da população local, como asma, infecções e, até mesmo, problemas nos sistemas circulatório e nervoso. Além disso, há danos econômicos para os habitantes que, devido a erosão e degradação dos solos, perdem a possibilidade de praticar a agricultura familiar. Por essas razões, o biólogo Genebaldo Freire Dias atentou para a necessidade de construção de uma consciência ecológica que trabalhe em prol do coletivo, afinal o desenvolvimento da economia não deve ser dissociado do social.
Portanto, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente trabalhe em parceria com o Ministério da Agricultura em políticas de desenvolvimento sustentável. Esses órgãos devem aumentar a fiscalização das matas brasileiras, objetivando o monitoramento das áreas e punindo, por meio da Legislação Ambiental, os responsáveis pelos incêndios criminosos. Tais ações irão impor restrições ao crescimento desenfreado do agronegócio, tornando-o um setor mais sustentável. Dessa forma, as queimadas nas florestas brasileiras diminuirão e haverá um controle adequado do uso de recursos naturais.