O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 16/07/2020
O meio ambiente, com sua fauna e flora, é um dos mais importantes sinais de que o planeta e os seres humanos constroem uma parceria de inter-relação em que todos ganham. Entretanto, com o aumento das necessidades logísticas e comerciais, o fogo e o menosprezo com o ambiente tornaram-se causas da acentuada desigualdade em que os mais fracos sempre perdem. Nesse ínterim, é válido analisar as causas dos constantes focos de incêndios nas matas brasileiras e os reflexos que trazem para a desconstrução da harmonia nos biomas brasileiros.
De início, é importante entender que a máxima de Rousseau de que a sociedade é corrompida pelo meio pode ser aplicada em relação às constantes mostras de que o homem usufrui de maneira predatória os recursos naturais e, o pior, é que a discussão acerca do problema ainda não é uma prioridade nas mesas de discussões. Dessa maneira, persevera-se a ideia de que o ambiente possui recursos ilimitados e que as bandeiras levantadas em relação ao tema tornam-se motivos para chacinas e ameaças que dificultam ainda mais a construção da solução do problema. Assim, quando se veem incêndios constantes noticiados pelos meios de comunicação, há a percepção de que o próprio homem é que o promove afastando-o da séria perspectiva que o assunto sugere.
Outrossim, nessa ótica invertida em que animais, vegetais e o próprio homem sempre perdem, há reflexos de injustiças e quebras de direitos dos que lutam por melhores condições ambientais. Nomes como Dorothy Stang e Chico Mendes, por conseguinte, concretizam a ideia de que é melhor calar para não pagar com a própria vida. Então, construir um mero estigma de queimada, esconde a íntima relação de poder e deslealdade que reverbera nas localidades em que os ricos constroem leis e amedrontam os mais fracos com sangue, numa clara demonstração de que a Idade Média ainda sonda o inconsciente coletivo. Queimadas, nessa análise, alimentam a infeliz percepção de que o problema está longe de um fim e que os Biomas são as vítimas incólumes.
As queimadas são, portanto, um reflexo de um problema maior causado pela visão deturpada de que o ambiente é infindo e que o seres humanos possuem autoridade de usufruto desenfreado. No ímpeto de resolver o problema, é necessário que os protocolos e acordos internacionais sejam postos em prática por meio da construção coletiva de mesas de discussões nas comunidades que visem à perspectiva adequada sobre a importância do meio. Desse modo, as escolas, pais e comunidade precisam construir pautas que levem o assunto para a discussão nas câmaras legislativas para que cada cidadão passe a enxergar o que se esconde por trás de uma queimada. Assim, a sociedade terá meios de entender as inter-relações ambientais fora da ótica insana da logística de mercado.