O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 17/07/2020
O filósofo Hegel defende a ideia de que o pensamento social evolui com o decorrer da história, dado que a sociedade passa a adotar ideais coletivistas com o intuito de se tornar mais inclusiva e garantir qualidade de vida para todas as camadas da nação. Não obstante, o recente aumento de queimadas em solo brasileiro, suscitado pela expansão da agropecuária e do extrativismo vegetal, reflete uma predominância do pensamento individualista nas elites brasileiras, o que, de acordo com a tese de Hegel, indica um retrocesso.
A priori, o desmatamento compromete a economia nacional, visto que além de prejudicar a renovação dos recursos extraídos e, consequentemente, sua disponibilidade a longo prazo, essas atitudes diminuem a produtividade da mão de obra geral em território nacional. Tal fato é comprovado pelo estudo da revista científica Fish and Fisheries que demonstra uma redução da produção pesqueira em rios adjacentes a áreas desmatadas na região amazônica, uma vez que a ausência dessa mata diminui os habitats, alimentos e os percursos fluviais dessas zonas e, posteriormente, a quantidade de animais aquáticos desses locais, o que acomete o mercado local.
A posteriori, o produto desses incêndios põe em risco patrimônios brasileiros, dado que a ação antrópica prejudica a integridade de patrimônios naturais, uma vez que essas ações viabilizam a extinção de espécies animais e vegetais, a poluição de bacias hídricas e o empobrecimento do solo, o que afeta a integridade das reservas ambientais e indígenas da região. Além disso, os gases emitidos durante essas queimadas são os principais reagentes das chuvas ácidas, que por possuírem um elevado teor corrosivo, danificam os monumentos e estruturas de valor histórico, como as estátuas de Aleijadinho.
Em suma, é vital que o Estado adote medidas para resolver esse problema. O governo deve aumentar investimentos em mecanismos de vigilância nas regiões florestais da nação, como satélites, patrulhas militares, pontos de controle e outros meios, para elevar a eficácia em neutralizar possíveis focos de incêndio e facilitar a localização dos responsáveis. Ademais, restrições para indústrias, como leis que definem limites para quantidade de recursos naturais extraídos e a obrigatoriedade de restauração do ecossistema caso seja alterado, são cruciais para garantir a estabilidade ambiental no Brasil e garantir o progresso.